Justiça libera retorno de transporte público em Pilar do Sul após interdição polêmica
Transporte público volta após interdição com foto falsa de IA

Justiça determina retorno do transporte público em Pilar do Sul após interdição controversa

A empresa responsável pelo transporte público de Pilar do Sul, no interior de São Paulo, retomará suas operações após uma decisão judicial que concedeu tutela de urgência. O serviço havia sido suspenso desde o dia 12 de fevereiro, quando o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) interditou a viação durante uma operação fiscalizatória.

Foto gerada por IA usada como prova na interdição

O processo judicial, que corre sob segredo de Justiça, revelou uma situação inusitada: o auditor-chefe regional do MTE, Ubiratan Vieira, anexou ao auto de interdição uma fotografia que mostrava um bode e uma cabrita no interior de um dos ônibus da empresa. A imagem foi classificada como uma "situação vexatória", porém, posteriormente foi constatado que a fotografia teria sido produzida através de Inteligência Artificial (IA) e não corresponderia à realidade dos fatos.

"A autora [empresa] articula, com veemência, que a referida fotografia utilizada como elemento de convicção pelo auditor fiscal não retrata a realidade e trata-se, na verdade, de imagem gerada por IA", afirma trecho do documento judicial ao qual o g1 teve acesso.

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Decisão judicial permite retomada imediata do serviço

O juiz Paulo Eduardo Belotti, responsável pelo caso, deferiu a tutela de urgência a favor da empresa após analisar o recurso apresentado. Com a decisão proferida nesta quinta-feira (19), a viação volta a ser responsável pelo transporte público da cidade, que ficou completamente sem serviço durante o período de interdição.

No entanto, a decisão judicial não impede que o MTE continue exercendo a fiscalização sobre a empresa. A viação deve continuar cumprindo rigorosamente as normas de segurança e trabalho, garantindo a integridade física dos funcionários e passageiros.

Processo judicial avança com réus incluídos

Devido ao uso da imagem questionável, Ubiratan Vieira passou a figurar como réu no processo juntamente com a Advocacia-Geral da União (AGU). Os réus têm prazo de 20 dias para apresentar defesa. Caso não haja contestação, o processo seguirá conforme prevê a legislação processual.

Em contato com a TV TEM, Ubiratan afirmou que não foi notificado sobre a situação e que a fiscalização do MTE segue em andamento. O auditor também alegou que o serviço de transporte público estaria sob responsabilidade de uma nova empresa, informação que contradiz a decisão judicial.

Contexto da operação e denúncias graves

A operação do MTE que resultou na interdição foi realizada após uma denúncia protocolada no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH), com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT). Um documento de 74 páginas apontava diversas irregularidades:

  • Maus-tratos e assédio moral contra funcionários
  • Condições precárias dos veículos, incluindo ausência de freios e cintos de segurança
  • Jornadas exaustivas de até 15 horas diárias
  • Falta de pagamento de horas extras e vale-refeição
  • Relatos de abuso sexual e assédio moral no ambiente de trabalho

O MTE constatou durante a fiscalização falhas graves em controle de risco e manutenção, que poderiam causar acidentes sérios. A empresa recebeu 21 autuações e a situação representava riscos aos 59 funcionários e aos passageiros.

Irregularidades estruturais e falta de planejamento municipal

Entre as irregularidades apontadas, a fiscalização destacou que a garagem dos ônibus está localizada em área não permitida pelo zoneamento urbano do município. A prefeitura foi notificada sobre a operação dois dias antes, em 10 de fevereiro, mas não propôs nenhuma alternativa para o transporte público durante o período de interdição.

Enquanto durar o embargo, que deve permanecer até que as irregularidades sejam solucionadas, a empresa não poderá:

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  1. Liberar ônibus em situação de irregularidade
  2. Fazer manutenções sem a segurança devida
  3. Expor trabalhadores a jornadas exaustivas diárias
  4. Utilizar veículos sem segurança comprovada

A equipe de reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Pilar do Sul para um posicionamento sobre a situação, mas não obteve retorno até o momento da publicação. Caso o embargo seja descumprido, a empresa responsável estará sujeita a sanções administrativas.