STF anula condenação de Anthony Garotinho na Operação Chequinho por provas ilícitas
STF anula condenação de Garotinho na Operação Chequinho

Decisão do Supremo Tribunal Federal reverte condenação de ex-governador do Rio

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a anulação integral da condenação do ex-governador do Rio de Janeiro e ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, Anthony Garotinho, no âmbito da Operação Chequinho. A decisão, assinada na quinta-feira (27), foi tomada durante o julgamento de um habeas corpus e se baseou na constatação de que a sentença utilizou provas consideradas ilícitas.

Violação do devido processo legal fundamenta anulação

Segundo o ministro Zanin, a condenação se sustentou em evidências obtidas de forma irregular, através da extração de dados de computadores da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos. A operação foi realizada sem a preservação adequada da cadeia de custódia e sem a realização de perícia técnica que comprovasse a autenticidade do material.

"O conteúdo eletrônico ilegal serviu como suporte à condenação", escreveu Zanin em sua decisão, destacando violações aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da inadmissibilidade de provas ilícitas. Os dados teriam sido extraídos por meio de pendrives, sem a apreensão dos equipamentos originais.

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Pena superior a 13 anos é revertida

Em 2021, Anthony Garotinho havia sido condenado pela Justiça Eleitoral por crimes como:

  • Corrupção eleitoral
  • Associação criminosa
  • Supressão de documentos
  • Coação no curso do processo

A pena inicial, que chegava a 13 anos, 9 meses e 20 dias de prisão após aumento determinado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), havia sido mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a decisão do STF, toda a sentença foi anulada.

Efeitos se estendem a outros réus da operação

O ministro Zanin também estendeu os efeitos da decisão a outros cinco réus condenados no mesmo contexto da Operação Chequinho, cujos processos foram igualmente fundamentados nas provas consideradas ilícitas. Tiveram as condenações anuladas:

  1. Thiago Virgílio Teixeira de Souza
  2. Kellenson Ayres Kellinho Figueiredo de Souza
  3. Lindamara da Silva
  4. Jorge Ribeiro Rangel
  5. Miguel Ribeiro Machado

Operação investigava suposto esquema de compra de votos

A Operação Chequinho apurou um suposto esquema de desvio do programa social Cheque Cidadão, que teria sido utilizado para a compra de votos em favor de candidatos ligados ao grupo político de Garotinho em Campos dos Goytacazes durante as eleições de 2016. Segundo a acusação, milhares de eleitores teriam sido beneficiados com inclusão irregular no programa em troca de apoio eleitoral.

Com a decisão do STF, as condenações são anuladas e os processos retornam à estaca zero. Cabe agora à Justiça Eleitoral avaliar se existem elementos válidos para uma nova ação, sem o uso das provas consideradas ilegais. A investigação que resultou na condenação de Garotinho teve a mesma origem irregular já reconhecida anteriormente pelo STF em outros processos relacionados à operação.

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