Toffoli critica PF por atraso em operação contra investigados do Banco Master
PF atrasa operação contra investigados do Banco Master

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou forte crítica e cobrou explicações da Polícia Federal (PF) pelo atraso no cumprimento de uma operação autorizada pelo magistrado. A ação, que envolvia ordens de busca e prisão temporária contra investigados no esquema de fraudes do Banco Master, foi deflagrada dois dias depois do prazo estabelecido por Toffoli.

Descumprimento de prazo judicial gera preocupação

Em despacho de oito páginas, o ministro detalhou a cronologia dos fatos. A Polícia Federal requereu as medidas cautelares no dia 6 de janeiro de 2026, e elas foram deferidas por Toffoli em 7 de janeiro. Diante da gravidade dos fatos e da necessidade de aprofundar a investigação, o ministro determinou, em 12 de janeiro, que as ordens fossem cumpridas no prazo máximo de 24 horas.

A ação policial, no entanto, só foi executada na quarta-feira, 14 de janeiro, quando o prazo expiraria na segunda-feira, dia 12. Os alvos eram o empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, e o empresário Nelson Tanure. No caso de Tanure, a PF justificou o pedido de busca pela informação de que ele viajaria para fora do país naquela semana.

Risco para as provas e inércia da PF

Toffoli expressou preocupação com as consequências do atraso. Em seu despacho, ele argumentou que a demora poderia permitir que outros envolvidos no caso descaracterizassem provas essenciais para o desfecho da investigação. O ministro ressaltou que a Polícia Federal teve vários dias para planejar e preparar a operação, o que torna o descumprimento do prazo ainda mais grave.

"Causa espécie a esse relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaracterizando as provas essenciais", escreveu Toffoli. Ele também criticou a "falta de empenho no cumprimento da ordem judicial", alertando que isso poderia resultar em prejuízo e ineficácia das providências determinadas.

Responsabilidade atribuída à corporação

O tom do ministro foi de firme reprovação. Ele foi explícito ao atribuir a responsabilidade exclusiva pelo ocorrido à Polícia Federal. Toffoli classificou a postura da corporação como "inércia exclusiva" e destacou a "inobservância expressa e deliberada" de sua decisão judicial.

"Eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da POLÍCIA FEDERAL, inclusive diante de INOBSERVÂNCIA EXPRESSA E DELIBERADA DE DECISÃO POR MIM PROFERIDA", afirmou o ministro no documento. Ele finalizou deixando claro que qualquer prejuízo às demais medidas da investigação seria de "inteira responsabilidade da autoridade policial".

O caso reforça a tensão entre o Poder Judiciário e as forças policiais em operações de alto perfil, especialmente em investigações complexas que envolvem figuras poderosas do mercado financeiro, como o esquema em torno do Banco Master. A eficácia das medidas judiciais e a preservação das provas agora dependem dos desdobramentos desta fase da operação, marcada pelo atraso criticado pelo STF.