A impressionante enxurrada de notícias falsas envolvendo o caso do Banco Master, com insinuações sobre a legitimidade da intervenção do Banco Central, representa muito mais do que um episódio isolado. Segundo análise publicada nesta quarta-feira (07/01/2026), essas "fakes" são um ensaio do que poderá acontecer no processo eleitoral de 2026.
O Ovo da Serpente e a Crise do Master
A coluna "O Outro Lado da Moeda" traça uma análise retrospectiva das decisões do Banco Central durante a pandemia da Covid-19, sob o comando do então presidente Roberto Campos Neto. Para manter a liquidez do sistema, o BC adotou um amplo pacote que incluiu a redução da taxa Selic para 2,00% ao ano em agosto de 2020, onde permaneceu até março de 2021, além de medidas como a redução de encaixes compulsórios e o aumento dos limites de alavancagem.
Esse ambiente de dinheiro barato, segundo o colunista, foi um "salvo-conduto" para operações arriscadas. Foi nesse cenário que o banqueiro Daniel Vorcaro expandiu seu conglomerado, comprando empresas a baixo custo. No entanto, a escalada posterior da Selic, que saltou de 2,00% em março de 2021 para 13,75% em agosto de 2022, começou a pressionar a engrenagem financeira do Master.
Para garantir captação, o banco adotou políticas agressivas, oferecendo CDBs que pagavam de 110% a 120% do CDI. A disparada do dólar no segundo semestre de 2024 forçou o Copom a uma série de altas frenéticas, elevando a Selic para 12,25% em dezembro daquele ano. O Master, então, passou a pagar até 140% do CDI, com ajuda de grandes players do mercado como XP, BTG Pactual e Nubank, para colocar seus papéis.
O Desfecho e a Intromissão Indevida
Os problemas de liquidez se tornaram evidentes entre março e maio de 2025, quando foi negociada uma fusão com o Banco Regional de Brasília. Sob a supervisão do BC, a diretoria de Organização do Sistema Financeiro, então comandada por Renato Brito Gomes, descobriu lastros inconsistentes que somavam mais de R$ 12 bilhões. O BC vetou a fusão em setembro de 2025 e decretou a liquidação do Master em 18 de dezembro de 2025.
O jogo, porém, não terminou. Vorcaro tentou acionar uma espécie de "VAR", com o caso sendo avocado pelo Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli tornou-se relator após sorteio. Paralelamente, houve uma intromissão indevida do Tribunal de Contas da União (TCU) no caso, especificamente pelo ministro Jhonatan de Jesus, que assimilou versões falsas sobre o caso. Ministros do STF já alertaram que o TCU atua em seara alheia à sua competência.
O Perigo para 2026 e a Credibilidade da Imprensa
A campanha de desinformação, disparada e acolhida por influenciadores em troca de remuneração, coloca em xeque a própria credibilidade da imprensa regular, que, por descuido, pode embarcar em versões falsas. O colunista faz um alerta solene: a enxurrada de "fakes" sobre o Master é apenas um ensaio.
O que se viu nesse caso financeiro é um teste das táticas que podem ser utilizadas em massa, potencializadas pela inteligência artificial (IA), durante a eleição de 2026. Na disputa eleitoral, será a consciência e o discernimento do eleitor que estarão ainda mais expostos à malícia do uso coordenado de ferramentas de desinformação. A bola pode ainda estar rolando no tribunal, mas a lição para a democracia já está dada.