Um jovem manifestante de 21 anos perdeu permanentemente a visão de um olho após ser atingido por um projétil considerado não letal, disparado à queima-roupa por um agente federal durante um protesto na Califórnia, nos Estados Unidos. O incidente, que ocorreu na semana passada, levanta sérias questões sobre o uso da força e a atuação das autoridades em manifestações contra a política de imigração do governo.
Detalhes do incidente e gravidade das lesões
Kaden Rummler participava de um ato em frente ao prédio federal de Santa Ana, na Califórnia, quando foi alvejado. De acordo com relatos da família divulgados na terça-feira, 13 de janeiro de 2026, o agente do Departamento de Segurança Interna (DHS) efetuou o disparo à curta distância. A situação do jovem é crítica: além da cegueira irreversível no olho esquerdo, ele sofreu uma fratura no crânio ao redor dos olhos e do nariz.
Durante uma complexa cirurgia de seis horas, os médicos encontraram fragmentos de plástico, vidro e metal alojados profundamente em seus olhos. Um pedaço de metal foi localizado a apenas 7 milímetros de uma artéria carótida, situação que, segundo sua tia Jeri Rees, "poderia ter lhe custado a vida". Os cirurgiões optaram por não remover os estilhaços próximos à artéria devido ao alto risco de morte durante o procedimento.
O pós-operatório também é delicado. Pelas próximas seis semanas, Kaden não pode espirrar ou tossir, pois qualquer movimento brusco pode deslocar os fragmentos e causar danos fatais. A família ainda alega que, após o disparo, os agentes pressionaram o rosto do jovem contra uma poça de seu próprio sangue e não solicitaram assistência médica imediata.
O contexto do protesto e o caso que o motivou
O protesto aconteceu após as 20h, quando a maioria dos manifestantes pacíficos já havia se dispersado. Os participantes do ato gritavam palavras de ordem contra o Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) e queimaram o que parecia ser uma bandeira americana nos degraus do prédio federal. O mote principal era "Justiça para Renee Good".
Renee Nicole Good, uma mulher de 37 anos, foi morta a tiros por um agente do ICE na quarta-feira, 7 de janeiro, em Minneapolis. O episódio, gravado em vídeo, mostra agentes se aproximando de forma agressiva do carro que ela dirigia. Good então acelera o veículo, e um dos agentes saca uma arma e dispara através da janela abaixada, atingindo-a no rosto. Uma testemunha exclama no vídeo: "Meu Deus, que p*rra você acabou de fazer?".
O DHS defendeu a ação do agente, alegando que Good tentou atropelar os oficiais em um suposto "ato de terrorismo doméstico", o que justificaria a legítima defesa. A morte desencadeou uma nova onda de protestos contra as políticas anti-imigração do governo de Donald Trump por todo o país.
Consequências e escalada da tensão
Em resposta aos protestos que se espalharam, especialmente na região de Minneapolis-St. Paul (as "cidades gêmeas"), o DHS anunciou no domingo o envio de "centenas" de agentes adicionais do ICE e da Patrulha da Fronteira. Cerca de 2.000 agentes federais já foram deslocados para a área, naquela que o Departamento descreveu como sua maior operação até o momento.
O caso de Kaden Rummler, capturado em vídeo que mostra seu rosto ensanguentado sendo arrastado para dentro do prédio federal, se tornou um símbolo da violência empregada contra manifestantes. A situação coloca um holofote sobre os métodos das forças de segurança e os limites do uso de projéteis "não letais", que, como demonstrado, podem causar lesões permanentes e mutilação.
Enquanto Kaden se recupera de lesões que mudarão sua vida para sempre, a comoção em torno do caso aumenta a pressão por investigações e por uma revisão dos protocolos de ação policial durante manifestações públicas nos Estados Unidos.