Moraes retira sigilo de operação sobre Cláudio Castro e revela uso de 'bombinhas'
Moraes retira sigilo de operação sobre Cláudio Castro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da Operação Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (15). A investigação apura suspeitas de fraudes fiscais envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, um dos maiores grupos devedores de impostos do país. Entre os alvos estão o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), o empresário Ricardo Magro, dono da companhia, e Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, aliado do senador Ciro Nogueira (PP).

Uso de 'aparelhos bomba' e 'bombinhas'

Segundo a PF, os investigados utilizavam dispositivos conhecidos como 'aparelhos bomba' e 'bombinhas' para dificultar o rastreamento e ocultar a identidade dos usuários reais. Esses equipamentos eram registrados em nomes de pessoas já falecidas. A investigação encontrou uma conta de WhatsApp associada a um número de telefone com código do Rio de Janeiro identificada como 'Márcio PF Bombinha'. A apuração concluiu que o aparelho era operado pelos escrivães da PF Márcio Pereira Pinto e Márcio Cordeiro Gonçalves, lotados na delegacia de Nova Iguaçu (RJ).

Linhas cadastradas em nomes de mortos

A corporação afirma que a linha telefônica estava cadastrada em nome de Anísio da Silva Antônio, morto em 2021 e sem vínculo com a PF. Outra linha usada no esquema estava registrada em nome de Cosme Gomes da Silva, também falecido. Para os investigadores, o uso de identidades falsas revela um 'padrão de ocultação'.

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Contatos frequentes com advogado e delegado

Ainda segundo a PF, o aparelho clandestino manteve contato frequente com o advogado Roberto Fernandes Dima, conhecido como Beto Dima, apontado como sócio de empresas ligadas ao conglomerado de Ricardo Magro. Os autos registram ligações e mensagens trocadas entre eles em outubro de 2025. A decisão cita também interações do aparelho com o delegado da PF Ricardo de Carvalho, candidato a deputado estadual em 2022. Os investigadores identificaram que a conta participava de um grupo de WhatsApp chamado '15.000 voltou!', em referência ao número de urna usado pelo delegado na eleição.

Conexão via rede interna da PF

Segundo a PF, uma conexão da conta investigada foi realizada por meio de um IP ligado à rede interna da própria Polícia Federal. Após análise técnica, os investigadores afirmam que o acesso estava associado ao login funcional de Márcio Cordeiro Gonçalves. A investigação também identificou que o intermediário Álvaro Barcha utilizava um segundo aparelho celular para fotografar telas e documentos exibidos em outro telefone, em tratativas consideradas 'sensíveis' pela PF.

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