Justiça Militar emite mandados de prisão contra militares por fraudes milionárias no IME
Justiça manda prender militares por fraudes em licitações do IME

Justiça Militar determina prisão definitiva de militares envolvidos em esquema de fraudes no IME

A Justiça Militar da União expediu mandados para prender de forma definitiva militares e ex-militares do Exército condenados por participarem de um esquema de desvio de recursos públicos no Instituto Militar de Engenharia (IME), localizado no Rio de Janeiro. O caso envolve um prejuízo inicial estimado em R$ 11 milhões, com possibilidade de ultrapassar R$ 25 milhões após atualizações e análises mais aprofundadas.

Decisão judicial e execução das penas

A decisão é do juiz federal substituto Sidnei Carlos Moura, da 2ª Auditoria da 1ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM-RJ), responsável pela execução penal. As ordens foram expedidas nessa terça-feira, após trânsito em julgado das condenações, o que significa que não há mais possibilidade de recursos.

De acordo com o magistrado, os militares que ainda mantêm vínculo com as Forças Armadas deverão cumprir pena no 1º Batalhão de Polícia do Exército (1º BPE), no bairro da Tijuca. Já o ex-militar, que perdeu o posto e a patente, e dois empresários civis serão encaminhados ao sistema prisional comum, no Complexo de Gericinó, em Bangu, conforme determinação da Justiça estadual do Rio de Janeiro.

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Detalhes das prisões e condenações

Até o momento, dois civis e dois militares já estão presos. Um ex-militar ainda não foi encontrado para cumprir a pena. Na manhã dessa quarta-feira, um dos condenados, um tenente-coronel da reserva de 62 anos, foi preso por agentes da Polícia Civil na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio. O militar foi condenado a 8 anos e 4 meses, em regime fechado, pelo crime de peculato.

As investigações do Ministério Público Militar apontaram que ele integrou um grupo de 15 pessoas envolvido em fraudes em licitações e contratos firmados entre o IME e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O esquema envolveu a manipulação de concorrências públicas, uso de empresas de fachada e falsificação de documentos para encobrir o desaparecimento de bens públicos.

Escala do esquema fraudulento

Ao todo, foram identificados 88 processos licitatórios fraudulentos, que movimentaram cerca de R$ 38 milhões. Além desse tenente-coronel, foram condenados:

  • Um coronel da reserva a 16 anos e 8 meses de reclusão
  • Um major a 16 anos
  • Um coronel da reserva a 11 anos, 1 mês e 10 dias
  • Um capitão a 5 anos, 11 meses e 2 dias
  • Dois civis (empresários), ambos condenados a 10 anos e 8 meses de reclusão

Histórico processual e decisões recentes

A sentença condenatória foi proferida em abril de 2019 e mantida integralmente pelo Superior Tribunal Militar (STM) em acórdão publicado em maio de 2022. Recentemente, com o esgotamento dos recursos para parte dos réus, o Ministério Público Militar requereu o início imediato do cumprimento das penas.

O pedido foi autorizado por decisão liminar do ministro Artur Vidigal de Oliveira, no âmbito de mandado de segurança. Outros acusados no processo foram absolvidos, enquanto dois tiveram a punibilidade extinta em razão de falecimento no curso da ação penal.

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