Galípolo cobrado por deputados sobre fiscalização do BC no caso BRB
Galípolo cobrado sobre fiscalização do BC no caso BRB

Deputados distritais do Distrito Federal se reuniram na manhã desta quarta-feira (20) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir a situação do Banco de Brasília (BRB), que sofreu um rombo bilionário após transações malsucedidas com o Banco Master. O encontro ocorre próximo ao prazo estipulado pelo BRB para que sejam apresentadas as ações do governo do Distrito Federal para recompor o patrimônio do banco. O BRB também determinou o dia 29 de maio para entrega do balanço consolidado de 2025, que deveria ter sido entregue em março.

Cobrança por transparência

Tanto o governo do Distrito Federal, principal acionista do banco, quanto o BRB reafirmaram em mais de uma ocasião que a instituição é sólida, apesar de as investigações apontarem que o banco adquiriu R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres – ou seja, sem garantias – do Master. "Essa demora do BRB de mostrar também para a população do DF a saída que estão tomando para resolver a situação é o que preocupa a gente. O que o GDF está sinalizando de concreto para resolver a situação", comentou o deputado distrital Max Maciel (PSOL).

Críticas ao GDF

Em entrevista após a reunião, os parlamentares também criticaram a ação do GDF em relação a planos de socorro ao banco. "Uma coisa é o discurso do GDF, dizendo que está buscando o governo federal. Outra coisa é a prática do GDF. Na verdade, eles querem levar a crise ao governo federal, não a solução", afirmou o deputado distrital Fábio Felix (PSOL). Em abril, a governadora Celina Leão (PP) também se reuniu com o presidente do Banco Central e disse que o problema do BRB "está sendo resolvido" e terá uma solução técnica. O encontro também contou com a participação de Nelson Souza, presidente do banco estatal. À época, a chefe do Executivo local também afirmou estar aguardando resposta sobre o pedido de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Empréstimo ao FGC

O GDF ainda tenta pegar R$ 6,6 bilhões emprestados junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para recompor o patrimônio do banco, abalado pelo escândalo do Banco Master.

BRB descumpriu prazo legal

Os deputados comentaram ainda sobre o descumprimento da entrega pelo BRB do balanço consolidado de 2025, que terminou em 31 de março, ao Banco Central. Em um comunicado publicado na terça-feira, o BRB informou aos acionistas e ao mercado que a divulgação será postergada em razão da necessidade: "de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação 'Compliance Zero'; da adequada avaliação, pela Administração da Companhia e pelo Auditor Independente, de seus potenciais impactos." A não entrega do balanço levou a agência internacional Moody's a rebaixar a classificação de risco do banco. A Moody's apontou, inclusive, risco de que o BRB passe a dar calote em seus compromissos. Segundo o comunicado, o rebaixamento reflete a provável necessidade de injeção de capital na instituição. Ainda de acordo com a Moody's, o não cumprimento do prazo "contribui para o aumento da incerteza quanto à situação financeira atual do banco e à sua capacidade de geração de novos negócios".

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BRB e Banco Master

O negócio entre BRB e Banco Master foi anunciado em março de 2025. O acordo entre as partes previa que o BRB adquirisse 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master. O aval da Câmara Legislativa à compra do Banco Master pelo Banco de Brasília veio em agosto do mesmo ano. À época, parlamentares da oposição chegaram a questionar a rapidez da tramitação. Em setembro de 2025, o Banco Central negou a compra. A reprovação pelo BC foi anunciada após mais de cinco meses de análise, embora a autoridade monetária ainda tivesse quase um ano de prazo para concluir a avaliação da operação. Em novembro do mesmo ano, o Banco Master passou a ser alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, por um esquema de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos. As investigações apontaram que o BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres – ou seja, sem garantias – do Master. Em março deste ano, os deputados distritais aprovaram uma lei que autoriza o uso dos nove imóveis públicos para salvar o BRB. Após meses de polêmica, o GDF retirou da lei a Serrinha do Paranoá e um terreno da Saúde do plano. Em abril, uma nova fase da Operação Compliance Zero levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios sem lastro – ou seja, sem garantias – com o Banco Master. Ele deixou o cargo no banco ainda em novembro do ano passado.