85% das famílias de Natal têm dívidas; inadimplência cai para 32%
85% das famílias de Natal têm dívidas ativas

Um levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio SP) apontou que cerca de 85% das famílias de Natal encerraram o ano de 2025 com dívidas ativas. O percentual supera a média nacional, que ficou em 80%.

Inadimplência em queda

O estudo, chamado Radiografia do Endividamento de 2026, também indicou que 32% das famílias da capital potiguar estão inadimplentes, ou seja, atrasaram alguma conta. Esse número representa uma queda significativa: em 2023, era de 56%, e em 2024, manteve-se em 32%.

O levantamento considera como dívida compromissos financeiros futuros a serem pagos, como parcelas de cartão de crédito. Já a inadimplência refere-se a contas que venceram e não foram pagas.

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Posição entre as capitais

Natal ficou na 10ª posição entre as capitais com mais famílias endividadas, com 85%, ao lado de Porto Alegre, Curitiba e Cuiabá. As cidades com maior percentual foram Fortaleza e Belo Horizonte, ambas com 90%. A menor foi Belém, com 70%.

O economista Helder Cavalcanti destacou a falta de educação financeira como principal causa. “As pessoas estão adquirindo crédito pela facilidade, especialmente no ambiente virtual, com taxas de juro altíssimas. Elas não conseguem honrar os compromissos e buscam outros mecanismos”, afirmou. Ele também ressaltou que o Brasil tem 214 milhões de habitantes e 236 milhões de cartões de crédito.

Contas atrasadas

Em relação às contas atrasadas, Natal e Palmas empataram na nona posição, com 32% das famílias inadimplentes. Apesar disso, houve queda em relação aos 56% de 2023. A capital com menor índice foi João Pessoa (12%), enquanto Belo Horizonte liderou com 65%.

Cavalcanti criticou o modelo de consumo estimulado pelo crédito fácil. “As pessoas não têm educação financeira, não avaliam a renda, não separam necessidade de desejo. O ambiente virtual cria novas necessidades”, explicou.

Impactos do endividamento

O economista também alertou para o uso do crédito em detrimento das compras do dia a dia, com dinheiro sendo direcionado ao mercado financeiro. Outro fator preocupante são as apostas online, que consomem parte significativa da renda dos brasileiros.

Ele ainda associou o aumento do endividamento a problemas de saúde mental. Para Cavalcanti, a solução passa pela educação financeira: “As famílias precisam ser orientadas a gerir o orçamento de forma racional e equilibrada”.

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