Desembargador antecipa salário de servidores do Rio, revertendo decisão de Castro
Em uma decisão que surpreendeu o cenário político do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, atualmente no comando do governo estadual, determinou a antecipação do pagamento do funcionalismo público para a próxima quinta-feira. A medida, anunciada nesta terça-feira, 31 de março de 2026, representa uma reviravolta significativa em relação às políticas do ex-governador Cláudio Castro, que havia declarado anteriormente que não pagaria a recomposição salarial dos servidores, prevista em lei.
Antecipação do pagamento e contexto fiscal
O pagamento dos salários estava originalmente programado para o terceiro dia útil após o feriadão de Páscoa, ou seja, a próxima segunda-feira. No entanto, Couto decidiu adiantar a data, liberando um total de R$ 2,4 bilhões para aproximadamente 450 mil servidores, incluindo ativos, inativos e pensionistas. Essa ação é vista como um alívio para os funcionários públicos, que enfrentam há anos as incertezas relacionadas ao déficit fiscal do estado, estimado em quase R$ 20 bilhões.
A justificativa de Castro para negar a recomposição salarial foi baseada nesse rombo orçamentário, mas a decisão do desembargador demonstra uma abordagem diferente na gestão das finanças públicas. Em nota oficial divulgada hoje, o governo destacou o compromisso com o funcionalismo, embora não tenha detalhado como a antecipação afetará o planejamento fiscal a longo prazo.
Mudanças na equipe governamental
Paralelamente à antecipação salarial, Couto também realizou mudanças significativas na equipe de governo. Ele exonerou Jair Bittencourt, um dos principais aliados de Castro, do cargo de secretário de Governo. Bittencourt havia sido nomeado pelo ex-governador no mesmo dia de sua renúncia e é acusado pela oposição de pressionar parlamentares para votar em Douglas Ruas na presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em uma sessão que posteriormente foi anulada pela Justiça.
Outra exoneração foi a do delegado Edu Guimarães de Souza, que comandava o Gabinete Institucional. Em seu lugar, foi nomeado o delegado Roberto Lisandro Leão, anteriormente corregedor da Força Municipal, uma divisão de elite criada pelo prefeito Eduardo Paes. Essas movimentações indicam uma reestruturação na administração estadual, com foco em novas lideranças e possivelmente em uma gestão mais alinhada com princípios de transparência e eficiência.
Reações e implicações políticas
A antecipação do pagamento é comemorada pelos servidores, que expressavam descontentamento com as medidas de Castro. Essa decisão pode ajudar a restaurar a confiança no governo estadual, especialmente em um momento de instabilidade política e econômica. No entanto, especialistas alertam que, sem um plano claro para lidar com o déficit fiscal, medidas como essa podem ser apenas paliativas, exigindo reformas mais profundas no futuro.
O caso também destaca o papel do Poder Judiciário na administração pública, com Couto, como desembargador, assumindo temporariamente o governo e implementando políticas que contrastam com as de seu predecessor. Isso levanta questões sobre a interação entre os poderes e a governança no Rio de Janeiro, um estado historicamente marcado por crises financeiras e políticas.
Em resumo, a antecipação salarial por Couto representa uma tentativa de estabilizar a situação do funcionalismo público, mas o sucesso a longo prazo dependerá de como o governo lidará com os desafios fiscais subjacentes e as mudanças na equipe administrativa.



