Toffoli deixa relatoria do caso Master no STF após pressão interna e desgaste
Toffoli sai da relatoria do caso Master no STF

Toffoli se afasta da relatoria do inquérito do Banco Master no STF após reunião tensa

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), demonstrou inicialmente resistência, mas acabou se convencendo a deixar a relatoria do inquérito que apura fraudes bilionárias do Banco Master. A decisão ocorreu durante uma reunião com os demais ministros nesta quinta-feira (12), onde foi discutido o intenso desgaste que o caso vem causando à Corte perante a opinião pública.

Pressão interna e argumentos pelo afastamento

Segundo relatos de um ministro que participou do encontro, Toffoli entendeu, na conversa com os colegas, que todo o desgaste não valia a pena e, por fim, pediu para sair do caso. O ministro chegou a afirmar que estava atendendo a todos os pedidos da Polícia Federal, mas que, mesmo assim, o desgaste só aumentava. Os demais magistrados argumentaram que esse desgaste não afetava apenas Toffoli, mas a instituição como um todo, especialmente diante das notícias sobre as relações do ministro e seus familiares com fundos ligados ao Banco Master.

Leitura de relatório da PF e respostas de Toffoli

Conforme apurado, o presidente do STF, Edson Fachin, fez a leitura de trechos do relatório da Polícia Federal durante a reunião. O documento continha menções a Toffoli em conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Toffoli respondeu a cada um dos pontos levantados pela PF, segundo um ministro presente. Apesar de suas defesas, o ministro se convenceu de que o melhor caminho era realmente deixar a relatoria.

Consequências do afastamento e novo relator

Com a saída de Toffoli, os atos praticados por ele no inquérito permanecem válidos, cabendo agora ao novo relator, ministro André Mendonça, tomar as próximas decisões no caso. Os demais ministros do STF também avaliaram que uma eventual declaração de suspeição de Toffoli abriria um precedente indesejado, reforçando a necessidade de uma solução que preservasse a integridade das investigações já realizadas.

O caso Master envolve alegações de fraudes financeiras de grande monta, e a movimentação no STF reflete a sensibilidade institucional em torno de investigações que tocam figuras de alto escalão. A decisão de Toffoli busca, assim, equilibrar a condução processual com a manutenção da credibilidade da Suprema Corte brasileira.