Tribunal de Justiça do Amapá esclarece novo regime de custas judiciais após críticas
TJAP explica novo regime de custas judiciais no Amapá

Tribunal de Justiça do Amapá esclarece novo regime de custas judiciais após críticas

O Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) divulgou nesta quarta-feira, 11 de setembro, esclarecimentos detalhados sobre o novo regime de custas judiciais implementado no estado. A medida surge em resposta a críticas de que a cobrança poderia dificultar o acesso da população ao Poder Judiciário, gerando um debate público sobre a sustentabilidade do sistema.

Lei estadual estabelece taxa de 2,75% sobre o valor da causa

A Lei Estadual nº 3.285/2025 instituiu formalmente a cobrança de uma taxa judiciária correspondente a 2,75% sobre o valor monetário da causa, além das custas iniciais previstas em tabela própria do tribunal. O TJAP enfatizou que esta legislação foi aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo Poder Executivo estadual, cabendo ao órgão judiciário apenas a aplicação prática das normas estabelecidas.

As custas judiciais possuem natureza tributária obrigatória e funcionam como um mecanismo de financiamento essencial para o funcionamento da Justiça. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção de sistemas eletrônicos, infraestrutura física e serviços essenciais do Judiciário, garantindo que o serviço público continue operando de forma eficiente para todos os cidadãos.

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Mecanismos garantem acesso à Justiça para população vulnerável

O Judiciário amapaense reforçou que a legislação prevê instrumentos específicos para evitar que as custas se transformem em barreira ao acesso à Justiça. A gratuidade da Justiça permanece disponível para cidadãos que comprovem insuficiência de recursos financeiros, assegurando que questões jurídicas essenciais não fiquem sem resolução devido a limitações econômicas.

Além disso, nos Juizados Especiais – que concentram grande parte das demandas judiciais da população – geralmente não há cobrança de custas durante a fase inicial dos processos. Esta flexibilidade busca equilibrar a necessidade de financiamento com o compromisso constitucional de acesso universal à Justiça.

Crescimento expressivo na demanda por serviços judiciais

Dados do relatório Justiça em Números, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), revelam que o acesso ao Judiciário do Amapá experimentou crescimento significativo nos últimos anos. O número de novos processos saltou de 63.958 em 2020 para impressionantes 136.416 em 2025, representando praticamente o dobro de demandas em um período de cinco anos.

Este aumento expressivo na procura por serviços judiciais reforça a necessidade de estruturas financeiras sustentáveis para manter a qualidade do atendimento à população. O tribunal alerta que comparações diretas entre tabelas de custas de diferentes estados podem ser equivocadas, já que cada unidade federativa adota modelos distintos de financiamento judicial.

Recursos financiam Defensoria, MP e políticas sociais

O TJAP destacou que os recursos arrecadados através das custas judiciais não se limitam ao financiamento do próprio tribunal. Parte significativa dos valores é destinada à manutenção da Defensoria Pública Estadual, do Ministério Público e de políticas públicas voltadas à infância e juventude, ampliando o impacto social positivo da arrecadação.

Em reconhecimento à sua gestão eficiente, o Tribunal de Justiça do Amapá recebeu do CNJ a avaliação de 100% de eficiência no Índice de Produtividade Comparada da Justiça (IPC-Jus) referente ao ano de 2025. Esta certificação atesta a aplicação adequada dos recursos disponíveis em benefício da população.

O tribunal concluiu que o debate público sobre custas judiciais é legítimo e necessário, mas deve ser conduzido com base em dados completos e análises técnicas aprofundadas. Esta abordagem evita percepções equivocadas sobre o acesso à Justiça no estado do Amapá, permitindo discussões mais produtivas sobre o financiamento sustentável do sistema judicial.

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