STF mantém prisão de Filipe Martins após violar regras da domiciliar
STF mantém prisão de ex-assessor de Bolsonaro

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a prisão em regime fechado de Filipe Martins, ex-assessor de relações internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada após uma audiência de custódia realizada virtualmente na tarde desta sexta-feira, 2 de janeiro de 2026.

Audiência virtual confirma descumprimento de regras

A sessão foi conduzida por volta das 16h55, em formato de videoconferência, pela juíza auxiliar Flávia Martins de Carvalho, que atua no gabinete do ministro Alexandre de Moraes. A manutenção da prisão ocorreu porque Martins descumpriu as condições impostas quando estava no regime domiciliar, ao utilizar redes sociais.

Mais especificamente, o ex-assessor usou a plataforma profissional LinkedIn. A Polícia Federal (PF) efetuou a prisão dele ainda pela manhã. O advogado de Martins, Ricardo Scheiffer Fernandes, confirmou a informação e disse ter acompanhado o cliente a um presídio na cidade de Ponta Grossa, no Paraná.

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Da prisão domiciliar ao regime fechado

Filipe Martins havia sido condenado pela Primeira Turma do STF no contexto das investigações sobre tentativa de golpe de estado e cumpria pena em prisão domiciliar. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes determinou a conversão para prisão preventiva após a violação das regras.

Na decisão, Moraes destacou que na última segunda-feira, 29 de dezembro, foi anexada aos autos uma notícia sobre o uso da rede social por Martins. A defesa do ex-assessor tentou justificar, afirmando na quarta-feira, 31, que as contas em redes sociais estavam sob custódia e gestão exclusiva dos advogados, para fins de organização de material para a defesa.

Eles argumentaram que a gestão era "silenciosa, não comunicacional e desprovida de qualquer exteriorização de vontade", negando que Martins tivesse feito postagens ou interações.

Decisão do ministro foi taxativa

O ministro Alexandre de Moraes, no entanto, não aceitou a explicação da defesa. Em seu despacho, ele escreveu que "a própria defesa reconhece a utilização da rede social", tornando irrelevante o argumento de que os acessos teriam sido feitos apenas por advogados.

Para Moraes, a conduta de Martins "demonstra total desrespeito pelas normas impostas e pelas instituições constitucionalmente democráticas". O ministro avaliou que, ao fazer uso das redes sociais, o ex-assessor ofendeu as medidas cautelares e todo o ordenamento jurídico.

A manutenção da prisão em regime fechado após a audiência de custódia reforça a aplicação rigorosa das condições impostas pelo STF nos casos relacionados aos processos sobre atos golpistas.

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