Gilmar Mendes manda PF investigar supostas arapongagens contra aliados de João Campos em PE
STF manda PF apurar suspeitas de arapongagem contra João Campos

Ministro do STF ordena investigação da PF sobre suspeitas de arapongagem em Pernambuco

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para apurar possíveis investigações ilegais contra aliados do prefeito do Recife, João Campos, do PSB. A decisão visa verificar se a Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco foram instrumentalizados para fins políticos, em um contexto de tensão eleitoral entre o prefeito e a governadora Raquel Lyra, do PSD, ambos pré-candidatos ao governo estadual.

Elementos robustos de instrumentalização política

Em sua decisão, Gilmar Mendes destacou a existência de elementos robustos que indicam a instrumentalização do aparato investigativo para fins políticos, especialmente em um período sensível do calendário eleitoral. O ministro argumentou que não há neutralidade possível quando os alvos das investigações são integrantes do núcleo de confiança de um dos pré-candidatos ao Executivo estadual.

Episódios que motivaram a decisão

Dois casos específicos levaram o ministro a tomar essa medida. O primeiro envolve a Polícia Civil de Pernambuco, que instalou um rastreador no carro de Gustavo Monteiro, secretário de Articulação Política e Social da prefeitura, sem autorização judicial. A Secretaria de Segurança Pública afirmou que o monitoramento fazia parte de uma investigação baseada em denúncia anônima, mas Gilmar Mendes considerou que a ação teve finalidade política, dissociada de qualquer controle judicial.

O segundo episódio refere-se ao Ministério Público do Estado, cujo Gaeco investiga 23 servidores de confiança da prefeitura, incluindo dez secretários municipais, em um procedimento preliminar. Promotores chegaram a requisitar a quebra de sigilos fiscais e a intimar servidores para depoimento. O ministro caracterizou isso como fishing expedition, uma investigação genérica que mira alvos específicos sem uma hipótese criminal definida, reforçando a aparência de desvio de finalidade para pressão política.

Reações e medidas adicionais

O PSB, partido de João Campos, levou o caso ao STF alegando que o governo estadual montou uma estrutura paralela de inteligência com objetivos político-eleitorais. Em contrapartida, o governo de Pernambuco negou qualquer ingerência sobre o Ministério Público, ressaltando a autonomia funcional do órgão. A governadora Raquel Lyra, em vídeo nas redes sociais, afirmou que não há orientação para perseguir ninguém e defendeu a Polícia Civil como instituição de estado, não servindo a interesses políticos.

Além do inquérito da PF, Gilmar Mendes determinou o trancamento da investigação do Ministério Público contra os servidores da prefeitura, por desvio de finalidade, e ordenou a notificação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para que o caso seja investigado administrativamente.