STF derruba liminar de André Mendonça e decide que Congresso define prorrogação da CPMI do INSS
STF decide que Congresso define prorrogação da CPMI do INSS

Supremo Tribunal Federal decide que prorrogação da CPMI do INSS cabe ao Congresso

Em uma decisão histórica, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, por oito votos a dois, a liminar do ministro André Mendonça que havia determinado a prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O plenário da Corte entendeu que a extensão dos trabalhos da comissão é uma questão interna do Congresso Nacional, não cabendo interferência do Poder Judiciário.

Contexto da decisão e votação no STF

A CPMI do INSS, que investiga fraudes nos descontos de aposentados e pensionistas, estava com prazo de término marcado para o sábado, 28 de março. Desde dezembro de 2025, integrantes da comissão, principalmente da minoria parlamentar composta por partidos de oposição, vinham solicitando a prorrogação dos trabalhos ao presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União), sem obter resposta. Diante da inércia, os parlamentares acionaram o STF no início de março.

Na segunda-feira, 23 de março, o ministro relator André Mendonça concedeu liminar determinando a prorrogação da CPMI por 60 dias, argumentando que a minoria parlamentar tem direito constitucional de dar continuidade às investigações. Mendonça estabeleceu um prazo de 48 horas para que o presidente do Congresso oficializasse a decisão, sob pena de o presidente da CPMI poder prorrogar os trabalhos diretamente.

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Votação no plenário e fundamentos dos ministros

O julgamento no plenário do STF começou com o voto do relator, André Mendonça, que defendeu a prorrogação. Ele afirmou que, se a minoria tem direito à instalação da CPI, também deve ter o direito à sua prorrogação, especialmente quando há obstáculos criados pela maioria para esgotar os prazos. O ministro Luiz Fux acompanhou o relator, citando que o regimento interno do Congresso reconhece essa prerrogativa das minorias.

No entanto, a maioria dos ministros divergiu. Flávio Dino abriu a divergência, argumentando que a Constituição trata apenas da criação de CPIs, não de sua prorrogação, sendo esta uma competência interna do Congresso. Alexandre de Moraes reforçou que a Constituição exige prazo certo para as comissões, sem previsão de extensão.

Os ministros Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e o presidente Luiz Edson Fachin acompanharam a divergência, formando a maioria de oito votos. Gilmar Mendes criticou ainda abusos nas investigações, como quebras de sigilo sem fundamentação e vazamentos de informações, mas votou contra a prorrogação por entender que não cabe ao STF interferir nessa matéria.

Consequências da decisão do Supremo Tribunal Federal

Com a derrubada da liminar de André Mendonça, a CPMI do INSS deve encerrar seus trabalhos no prazo original, neste sábado, 28 de março. A decisão do STF estabelece um precedente importante, reafirmando a autonomia do Congresso Nacional em questões internas, como a prorrogação de comissões parlamentares.

O caso destacou tensões entre os poderes, com o Judiciário evitando se intrometer em assuntos considerados de competência legislativa. A minoria parlamentar, que buscava mais tempo para investigar fraudes no INSS, ficará dependente de uma eventual decisão do Congresso para estender os trabalhos, o que parece improvável dada a posição da maioria.

Esta decisão do STF reforça o princípio da separação de poderes e limita a atuação judicial em temas que, segundo a Corte, devem ser resolvidos no âmbito político-legislativo.

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