Senadora denuncia que CPMI do INSS perdeu credibilidade e virou palco de disputas políticas
A senadora Soraya Thronicke, em entrevista exclusiva ao programa Ponto de Vista da revista VEJA, lançou duras críticas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a parlamentar, o colegiado perdeu completamente sua credibilidade ao se transformar em um espaço de disputa política partidária, marcado por práticas de "lacração" e seletividade nas investigações.
Críticas à condução dos trabalhos e falta de imparcialidade
"A CPMI perdeu realmente a sua credibilidade", afirmou Soraya Thronicke de maneira enfática durante a entrevista. A senadora explicou que a comissão deixou de seguir critérios básicos de imparcialidade e neutralidade que deveriam guiar qualquer investigação parlamentar, tornando-se um instrumento para exposição política de adversários.
"Virou uma guerra política, uma tentativa constante de lacração, uma proteção de um lado e exposição do outro", declarou a parlamentar, ressaltando que essa dinâmica comprometeu profundamente a qualidade e a legitimidade das apurações.
Desequilíbrio nas investigações e pedidos não atendidos
Soraya Thronicke revelou que apresentou diversos requerimentos para ouvir autoridades de diferentes governos ligadas à gestão do INSS, considerando que o recorte temporal da investigação abrange administrações anteriores. No entanto, segundo seu relato, parte significativa desses pedidos não avançou dentro da comissão.
Essa seletividade, de acordo com a senadora, teria comprometido o equilíbrio necessário para uma investigação justa e abrangente. "Quando uma investigação perde a sua essência de imparcialidade, ela perde o sentido", afirmou Thronicke, destacando que a finalidade principal da CPMI ficou prejudicada.
Posicionamento sobre prorrogação e decisão do STF
Diante desse cenário de perda de credibilidade, a senadora declarou não apoiar uma prorrogação longa dos trabalhos da comissão. Soraya defende apenas uma extensão curta do prazo para que o relator possa finalizar o documento conclusivo. "Eu era favorável à continuação, mas dessa forma não dá para prosseguir", explicou.
A parlamentar também comentou a recente decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que suspendeu a quebra de sigilos de investigados aprovada pela CPMI, incluindo a do filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha. Para Soraya, a medida judicial não impede as investigações, mas exige que cada caso seja analisado individualmente, respeitando as garantias constitucionais dos envolvidos.
Conclusão sobre o futuro da comissão
A posição da senadora Soraya Thronicke reflete um crescente questionamento sobre a efetividade e a legitimidade da CPMI do INSS. Com suas declarações, a parlamentar coloca em debate não apenas os métodos da comissão, mas também sua própria continuidade diante das acusações de parcialidade e uso político.
O caso evidencia as tensões políticas que permeiam investigações parlamentares no Congresso Nacional e levanta questões importantes sobre como equilibrar o direito de investigação com a garantia de imparcialidade e justiça processual.



