Projeto no Senado visa barrar decisões judiciais que favoreçam abusadores de crianças
Senado debate projeto para proteger crianças de abusos sexuais

Projeto no Senado visa barrar decisões judiciais que favoreçam abusadores de crianças

O Senado Federal está prestes a votar um projeto de lei que pode fortalecer significativamente as políticas de proteção a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. A proposta, de autoria da senadora Dorinha Seabra (União-TO), modifica o artigo 217 do Código Penal, que trata do crime de estupro de vulnerável, estabelecendo que o consentimento da vítima menor de 14 anos é juridicamente irrelevante.

Reforço na legislação contra abusos

Além do consentimento, a proposta determina que fatores como experiências sexuais anteriores da vítima, eventual relacionamento com o agressor, proximidade de idade, contexto social ou qualquer outro argumento utilizado para afastar a condição de vulnerabilidade também passariam a ser desconsiderados. A senadora argumenta que, embora a legislação atual já indique que o consentimento de menores de 14 anos não tem validade jurídica, decisões judiciais recentes têm considerado elementos subjetivos que enfraquecem a proteção legal.

Um caso emblemático citado pela parlamentar envolve o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que absolveu um homem de 35 anos por manter um relacionamento com uma menor de 12 anos, alegando a existência de um "vínculo afetivo". Esse tipo de decisão, segundo a senadora, expõe falhas na aplicação da lei e motiva a necessidade de um reforço normativo.

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Contexto da votação no Senado

A proposta está na pauta do Senado, aguardando deliberação em sessão ordinária. Durante uma recente sessão, estiveram presentes figuras como a senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), o senador Omar Aziz (PSD-AM), o líder do governo Jaques Wagner (PT-BA), o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP), e outros parlamentares, demonstrando a relevância do tema. O projeto visa preencher lacunas na legislação, assegurando que a proteção a crianças e adolescentes seja aplicada de forma rigorosa e uniforme, sem margem para interpretações que possam beneficiar abusadores.

A iniciativa reflete um esforço contínuo do legislativo para combater a violência sexual contra menores, alinhando-se com políticas públicas de acolhimento e direitos humanos. Se aprovada, a mudança no Código Penal poderá impactar diretamente a jurisprudência, dificultando decisões judiciais que, baseadas em argumentos subjetivos, tenham favorecido agressores em casos de abuso infantil.

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