Governadora Raquel Lyra evita defesa direta e vê impeachment como ataque eleitoral em Pernambuco
Raquel Lyra evita defesa e vê impeachment como ataque eleitoral

Governadora de Pernambuco evita defesa direta e insinua motivação eleitoral em caso de impeachment

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), falou publicamente sobre o pedido de impeachment protocolado contra ela nesta semana, mas evitou uma defesa direta das acusações. Em vez disso, deu a entender que acredita que a ação seja um ato eleitoral, visando sua difamação em meio à disputa política estadual.

Acusações e contexto do pedido de impeachment

O pedido de impeachment foi protocolado após constatações de que a gestão de Lyra não fiscalizou adequadamente uma empresa de ônibus intermunicipais de sua família, que apresentava uma série de irregularidades. A governadora, no entanto, não citou especificamente o pedido ou nomes envolvidos durante seu discurso.

Em evento da Associação dos Prefeitos de Pernambuco (Amupe), em Gravatá, no agreste do estado, Raquel Lyra fez declarações fortes sobre o assunto. “Não se mexe com a honra de pessoas honradas. Nós todos estamos sujeitos a muita coisa nessa vida, nessa época de fake news”, afirmou ela.

A governadora continuou: “Na política isso é até comum, embora não seja normal, as pessoas brincarem com a biografia dos outros: [mas] com a minha não! Talvez seja mais fácil querer bater numa mulher, mas eles não conhecem a nossa força. Talvez seja mais fácil tentar colocar empecilho, imputar algum tipo de responsabilidade que ela não tem, questionar sobre formas e jeitos”.

Oponentes políticos e cenário eleitoral

O pedido de impeachment foi feito pelo deputado estadual Romero Albuquerque (União), aliado do prefeito do Recife, João Campos (PSB), principal oponente eleitoral de Lyra para as eleições de outubro de 2026. Campos lidera as pesquisas para o governo do estado, e o pedido foi aceito pelo presidente em exercício da Assembleia Legislativa, Rodrigo Farias, que é do partido de Campos.

Apesar de comentar o assunto, Raquel Lyra não abordou diretamente a acusação de crime de responsabilidade relacionada à não fiscalização da empresa familiar. Em vez disso, aproveitou o momento para falar sobre as eleições e sua gestão.

Defesa da gestão e mudanças em Pernambuco

A governadora afirmou que incomoda os opositores por ter promovido muitas mudanças no estado. “Nunca foi pelo cargo, nunca foi pela próxima eleição, eu estou aqui para fazer mudança e transformação, e isso inquieta muita gente que queria que as coisas continuassem como estavam”, declarou Lyra.

Ela detalhou: “Pernambuco caiu, perdeu posição, perdeu espaço, perdeu emprego, estradas estavam sucateadas, hospitais foram sucateados, as escolas também. A gente veio fazer mudança, e isso incomoda para caramba. Não é um projeto pessoal de poder. Não é o poder a qualquer custo, em cima de todo mundo”.

Possibilidade de derrota eleitoral e compromisso com o estado

Admitindo a possibilidade de derrota eleitoral em outubro, já que segue atrás nas pesquisas, Raquel Lyra disse que continuará trabalhando pelo desenvolvimento de Pernambuco. “Se for bom para o povo de Pernambuco, é bom para mim. Se ele me quiser aqui, eu estou aqui, e se não quiser mais será a democracia”, afirmou.

Ela acrescentou: “Mas a gente tem que jogar dentro das quatro linhas [da Constituição Federal]. Eleição é eleição: nós não estamos em período eleitoral”, reforçando sua visão de que o impeachment é uma manobra política prematura.

Contexto político mais amplo

O pedido de impeachment contra Raquel Lyra foi protocolado quase vinte dias após uma solicitação semelhante ser feita contra João Campos na Câmara de Vereadores do Recife. Esse pedido anterior envolvia um escândalo referente a uma nomeação apontada como irregular para um cargo público de salário elevado, indicando um cenário de intensa disputa política no estado.

A situação destaca as tensões entre os principais atores políticos de Pernambuco, com acusações mútuas e manobras que podem influenciar significativamente o cenário eleitoral de 2026. A governadora, primeira mulher a comandar o estado, insiste em defender sua honra e gestão, enquanto evita confrontar diretamente as acusações técnicas do impeachment.