Dados do STF sobre 8 de Janeiro desmontam narrativa de perseguição, diz Paulinho
Paulinho: Dados do STF desmontam narrativa bolsonarista

As condenações pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo usadas como um contraponto político à retórica de perseguição sustentada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, o deputado federal Paulinho da Força analisou os números apresentados pelo ministro Alexandre de Moraes e defendeu que eles pintam um quadro muito diferente da narrativa bolsonarista.

Os números que desmontam a narrativa

De acordo com os dados citados pelo ministro relator, cerca de 100 pessoas já foram condenadas até o momento pelos crimes cometidos durante os ataques às sedes dos Três Poderes. A análise detalhada dessas sentenças, segundo Paulinho da Força, revela uma atuação judicial ponderada.

O parlamentar destacou que, do total de condenados, quase 30% receberam penas de até um ano. Além disso, mais de 40% dos envolvidos firmaram acordos de não persecução penal, que encerraram os processos com o pagamento de multas e a realização de cursos, sem a necessidade de um julgamento formal.

"Quando você olha os números friamente, fica difícil sustentar a ideia de condenações indiscriminadas ou penas astronômicas para todo mundo", afirmou o deputado. Ele reforçou que o STF diferenciou situações e responsabilidades, aplicando punições distintas conforme o nível de envolvimento de cada réu.

Firmeza de Moraes é elogiada

Questionado sobre se a atuação do ministro Alexandre de Moraes representou excesso ou firmeza, Paulinho da Força foi categórico. "O Alexandre teve coragem. Enfrentou um por um, enfrentou grupos organizados e agiu com muita firmeza", declarou.

Para o deputado, essa postura foi fundamental para garantir uma resposta institucional robusta aos ataques contra a democracia. Ele avalia que uma reação mais branda poderia ter sido interpretada como fraqueza do Estado ou como uma punição meramente simbólica.

Impacto nas tentativas futuras e no debate político

Paulinho também rebateu o argumento de que eventuais revisões de pena, discutidas no Congresso Nacional, poderiam incentivar novas tentativas golpistas. Ele lembrou que o crime de golpe de Estado continua previsto no Código Penal, com penas que variam de quatro a doze anos de prisão, cabendo ao juiz a dosimetria caso a caso.

"Na prática, o que se discutiu foi uma redução de cerca de dois anos e meio quando se somavam penas. Isso não incentiva golpe nenhum", argumentou. O deputado acredita que a memória dos eventos de 8 de janeiro e suas consequências judiciais atuam como um freio eficaz. "As pessoas viram o que aconteceu. Vão pensar duas vezes antes de tentar algo parecido", completou.

Do ponto de vista político, Paulinho da Força conclui que o balanço apresentado pelo STF é desfavorável para quem insiste no discurso de vitimização. "É muita conversa para quem quer falar mal do projeto ou do Judiciário. Os números estão aí", disse. Na avaliação dele, a combinação de punições, acordos e a diferenciação de condutas reforça a mensagem de que o Estado agiu dentro da lei e reduz o espaço para transformar os condenados em mártires políticos.