Oposição propõe mudança no regimento da Câmara para restringir presidência da Comissão da Mulher
Oposição quer mudar regra para restringir presidência da Comissão da Mulher

Oposição protocola proposta para alterar regimento da Câmara após eleição de Erika Hilton

Em uma iniciativa considerada com poucas chances de prosperar, a deputada Delegada Ione (Avante) protocolou uma proposta que sugere mudanças no regimento interno da Câmara dos Deputados. O objetivo é restringir que o comando da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher seja ocupado exclusivamente por parlamentares do sexo feminino biológico.

Justificativa da proposta e reação política

"Trata-se de medida que busca assegurar que o espaço institucional dedicado à defesa dos direitos femininos seja conduzido por quem, desde o nascimento, vivencia a condição biológica de mulher — com todas as implicações físicas, sociais e históricas que dela decorrem", justifica Ione no documento protocolado.

O movimento da deputada representa mais um capítulo da reação da oposição à eleição da deputada Erika Hilton (Psol) para a presidência do colegiado. Na semana passada, a psolista foi eleita para o posto em uma sessão marcada por ofensas e por uma tentativa dos opositores de impedir sua posse.

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Contexto da eleição e posicionamentos

Outros parlamentares já vinham mencionando, nos bastidores, que essa seria uma alternativa para marcar posição contra a eleição da deputada do Psol. A oposição, em mais de uma oportunidade, já demonstrou comportamentos considerados transfóbicos em relação à parlamentar.

Erika Hilton, que recentemente foi condecorada com o título de Grande Oficial da Ordem de Rio Branco, assumiu a presidência da comissão após indicação do Psol, partido que tem direito à principal cadeira do colegiado conforme a distribuição entre as legendas.

Viabilidade da proposta e regras atuais

A iniciativa, porém, não deve ter êxito, segundo análise de especialistas em regimento parlamentar. Esse tipo de restrição não existe em nenhum dos outros colegiados da Câmara, e os colegiados são distribuídos entre os partidos, cabendo a cada um a prerrogativa de indicar quem estará à frente das comissões.

O Psol, exercendo seu direito, indicou Erika Hilton para a função, consolidando sua posição na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. A proposta de alteração regimental enfrenta obstáculos significativos para ser aprovada, dada a ausência de precedentes similares e as regras estabelecidas de distribuição de cargos.

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