Nunes Marques e o STF: O que o ministro já disse sobre instalação de CPIs
O ministro Nunes Marques, relator no Supremo Tribunal Federal de um pedido para instalar a CPI do Banco Master no Senado, já deixou claras suas posições sobre o papel do STF na análise de abertura de comissões parlamentares de inquérito. Suas declarações recentes e passadas oferecem um panorama de seu entendimento constitucional sobre o tema, que tem gerado debates intensos no cenário político brasileiro.
Decisão recente sobre CPMI do INSS
Na semana passada, Nunes Marques compôs a maioria, de oito votos a dois, que derrubou a decisão do ministro André Mendonça de prorrogar a CPMI do INSS. Na ocasião, o magistrado considerou que a decisão deveria caber ao presidente do Senado, e não ao STF, por não estar prevista na Constituição Federal.
"Devemos permitir que o Parlamento faça seus próprios arranjos para evitar traumas como o trancamento de inquéritos pelo Judiciário", afirmou Nunes Marques, destacando a importância da autonomia legislativa. No entanto, ele fez uma ressalva crucial: a discussão sobre instalar ou não uma CPI pode, sim, ser analisada pelo Poder Judiciário, embora não tenha estabelecido a obrigatoriedade de abertura no caso do cumprimento de requisitos específicos.
Fundamentos constitucionais e critérios objetivos
O ministro explicou que a matéria tem cunho constitucional, iniciando-se no parágrafo terceiro do artigo 58 da Constituição, que estabelece critérios objetivos para a instalação de CPIs. Esses requisitos incluem:
- Requerimento por um terço dos membros do Congresso
- Apuração de fato determinado
- Prazo certo para a conclusão dos trabalhos
"Esses requisitos são, sim, aferíveis pelo Poder Judiciário", avaliou Nunes Marques, reforçando que o STF tem competência para verificar se os critérios legais foram atendidos, mas sem interferir diretamente nas decisões políticas do Parlamento.
Precedente histórico: CPI da Pandemia em 2021
Em 2021, recém-chegado ao Supremo Tribunal Federal, Nunes Marques fez parte da maioria que confirmou a decisão do então ministro Luís Roberto Barroso de determinar a instalação da CPI da Pandemia no Senado. Na época, contudo, ele não apresentou um voto separado, limitando-se a acompanhar a posição de Barroso, enquanto apenas o ministro Marco Aurélio Mello divergiu da maioria.
Esse precedente histórico mostra que, apesar de sua postura recente de valorizar a autonomia do Legislativo, Nunes Marques já apoiou decisões do STF que intervieram diretamente na instalação de CPIs quando consideradas necessárias para garantir o cumprimento da lei e a investigação de fatos de relevância nacional.
Contexto atual e implicações políticas
O atual pedido para a CPI do Banco Master coloca Nunes Marques em uma posição central no debate sobre os limites entre os Poderes. Suas declarações sugerem que ele pode adotar uma abordagem equilibrada, verificando os requisitos constitucionais sem impor decisões ao Senado, a menos que haja claras violações legais.
Especialistas em direito constitucional destacam que a postura do ministro reflete uma tendência no STF de buscar um equilíbrio entre o controle judicial e o respeito à separação de poderes, um tema que continua a evoluir com cada novo caso levado à Corte.



