Gabinete de Toffoli emite nota sobre Caso Master, mas silencia sobre acusações pessoais
Nota de Toffoli sobre Caso Master não explica acusações pessoais

Gabinete de Toffoli emite nota sobre Caso Master, mas silencia sobre acusações pessoais

O gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota oficial nesta quinta-feira (29 de janeiro de 2026) buscando esclarecer detalhes sobre as investigações. O documento, no entanto, não aborda diretamente as acusações sobre um eventual interesse pessoal do ministro no processo, que tem gerado polêmica e pressões para sua saída da relatoria.

Decisão sobre competência só após conclusão da PF

Em um dos pontos principais, a nota afirma que o eventual envio do caso para a primeira instância da Justiça Federal somente será decidido após a Polícia Federal concluir a apuração. O texto esclarece que, "encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias", garantindo que não haverá nulidades por questões de foro ou violação processual.

A competência do STF para conduzir as investigações tem sido um dos aspectos mais controversos. O caso chegou à Corte após a PF encontrar menção a um deputado federal em documentos apreendidos, embora até o momento não tenha resultado em suspeita de ilícito.

Sigilo máximo e polêmicas

Outro ponto destacado na nota é o sigilo máximo decretado sobre o processo. A medida foi determinada dias após Toffoli ter viajado em um jatinho particular onde também estaria o advogado de um dos investigados. O gabinete justifica que o sigilo "já havia sido decretado pelo juízo de primeiro grau e foi mantido para evitar vazamentos".

O comunicado assegura que "em todos os âmbitos, as investigações continuam a ser realizadas normalmente e de forma regular", mantendo os sigilos necessários devido às diligências em andamento.

Pressões e acusações não abordadas

O ministro tem enfrentado pressões crescentes para deixar a relatoria, especialmente após decisões consideradas incomuns, como a determinação de envio de provas ao STF antes da perícia da PF. Reportagens também mencionaram um fundo ligado ao Master que teria adquirido participações de familiares de Toffoli em um resort no Paraná.

A nota do gabinete não comenta essas acusações, focando apenas nos aspectos processuais. A decisão sobre a permanência do caso no STF depende inicialmente do próprio ministro.

Detalhes do processo

O inquérito, denominado Operação Compliance Zero, apura irregularidades e possíveis fraudes nas negociações de compra do Banco Master pelo BRB, instituição financeira pública do Distrito Federal. Entre as medidas adotadas:

  • Oitiva dos principais investigados em dezembro de 2025
  • Oitiva de dirigentes do Banco Central sobre questões envolvendo o Master
  • Rejeição de pedidos de nulidade pelas defesas
  • Prorrogação do prazo de investigação por mais sessenta dias

O gabinete reforça que todas as decisões foram tomadas com base em análise técnica e parecer do Procurador-Geral da República, visando proteger o Sistema Financeiro Nacional.