Moraes vota para aceitar denúncia criminal contra pastor Silas Malafaia no STF
Moraes vota para aceitar denúncia criminal contra Malafaia no STF

Moraes vota para aceitar denúncia criminal contra pastor Silas Malafaia no Supremo Tribunal Federal

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou para aceitar a denúncia criminal oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o pastor Silas Malafaia, uma das principais lideranças evangélicas conservadoras do país. A decisão coloca o religioso mais próximo de se tornar réu formalmente na mais alta corte do país.

Os crimes imputados e as agravantes

Malafaia foi denunciado pelos crimes de calúnia, injúria e difamação, em decorrência de um discurso proferido durante uma manifestação bolsonarista no ano passado. Em sua fala, o pastor referiu-se a militares de alta patente como "frouxos", "omissos" e "covardes", declarações que foram amplamente replicadas nas redes sociais.

Embora isoladamente esses crimes possuam penas consideradas baixas, a PGR solicitou a inclusão de três agravantes no processo:

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  • O ato ter sido praticado contra funcionário público
  • A ocorrência na presença de várias pessoas
  • A forma de divulgação que facilitou sua disseminação

O voto de Moraes e o próximo passo processual

O voto proferido por Moraes na última sexta-feira, dia 6 de março, não analisa o mérito da acusação – ou seja, não determina se Malafaia é culpado ou inocente – mas apenas se há justa causa para que ele continue respondendo à ação penal como réu.

"Fica evidenciado que o discurso acusatório permitiu ao denunciado a total compreensão da imputação contra ele formulada e, por conseguinte, garantirá o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa", afirmou o ministro em seu voto. "Presente a justa causa para a ação penal (...) voto pelo recebimento da denúncia", complementou.

A decisão final sobre o aceite da denúncia está sendo analisada pelo plenário virtual da Primeira Turma do STF até o final da próxima sexta-feira, dia 13 de março. Além de Moraes, que vota primeiro por ser o relator do caso, também votarão os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Se dois deles acompanharem o voto de Moraes, Malafaia se tornará oficialmente réu no Supremo Tribunal Federal.

A defesa de Malafaia e o contexto do processo

Em vídeo divulgado em sua rede de transmissão nesta segunda-feira, dia 9 de março, Silas Malafaia defendeu-se afirmando que "não citou o nome de nenhum general" em seu discurso e argumentou que, por não possuir prerrogativa de função – já que não exerce cargo público –, deveria ser julgado na Justiça comum e não no STF.

O pastor também classificou o inquérito das fake news, do qual esta ação é um desdobramento, como "imoral e ilegal". O caso representa mais um capítulo nas tensões entre setores do poder judiciário e figuras públicas envolvidas em manifestações políticas recentes no país.

Agora, a comunidade jurídica e religiosa aguarda com atenção os próximos votos dos ministros do Supremo, que definirão se um dos mais influentes líderes evangélicos do Brasil seguirá formalmente como réu perante a mais alta corte de justiça do país.

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