
Eis que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, resolveu dar um verdadeiro xeque-mate no tabuleiro político desta semana. Numa decisão que pegou muitos de surpresa — e deixou outros tantos com as orelhas em pé —, ele simplesmente mandou remover a tornozeleira eletrônica do senador Marcos do Val (Podemos-ES).
Pois é. O parlamentar estava em prisão domiciliar desde o começo do ano, investigado no inquérito que apura os atos golpistas de 8 de janeiro. Agora, volta a respirar os ares (mais) livres de Brasília. Mas calma: a soltura não significa absolvição. Moraes manteve outras medidas cautelares, como o comparecimento mensal à Justiça e a proibição de contato com outros investigados.
Não dá pra ignorar o timing, né? A defesa do senador vinha pressionando pelo fim da monitoração eletrônica, argumentando que ele cumpriu todos os requisitos e que não havia mais razão para mantê-lo tão restrito. O ministro, afinal, acatou. Mas a sombra da operação Selos Falsos, que investiga supostos desvios no Correios, ainda paira sobre Do Val.
O que me pega, sinceramente, é a velocidade com que as coisas mudam em Brasília. Um dia você tá monitorado, no outro tá livre — mas ainda sob o radar da Justiça. É um daqueles casos em que a política e o direito se entrelaçam de um jeito que até Machado de Assis duvidaria.
E as reações? Bem, como era de se esperar, não demoraram a vir. De um lado, aliados do senador comemoram como se fosse gol nos acréscimos. Do outro, críticos torcem o nariz e questionam a mensagem que isso passa — ainda mais num caso tão sensível.
Enfim. Mais um capítulo na novela que é a relação entre o STF e o Congresso. E olha, parece que esse ainda vai render muitos — mas muitos — episódios.