O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, decidiu antecipar sua saída do governo. A carta de demissão foi entregue pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, dia 8 de janeiro de 2026. A decisão, conforme apurado, foi motivada por uma combinação de fatores, incluindo frustrações com a obstrução de projetos-chave no Congresso Nacional e o desejo de dedicar mais tempo à vida pessoal e à família.
Frustração política e projetos emperrados
A permanência de Lewandowski no cargo vinha sendo abalada pelo travamento de suas principais iniciativas legislativas. O ponto mais crítico foi o impasse em torno da PEC da Segurança Pública, proposta considerada a mais ambiciosa do ministro para a área. O projeto enfrentou resistência firme de governadores e de setores da Polícia Federal, não conseguindo avançar.
Outro golpe foi a alteração promovida pela oposição no PL Antifacção, outra prioridade da sua gestão. As mudanças no texto, distanciando-o do original enviado pelo ministério, contribuíram significativamente para o seu desânimo. Com a proximidade das eleições de 2026 e a previsão de que a segurança pública seria um tema central e desgastante nos palanques, Lewandowski optou por evitar esse confronto político e antecipar sua saída.
O desejo por tempo com a família
Além dos motivos políticos, questões pessoais pesaram na decisão. Quando se aposentou do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023, após 17 anos na corte, Lewandowski planejava uma rotina mais tranquila. Um dos objetivos era passar mais tempo com os netos, que não moram em Brasília.
O convite para assumir o Ministério da Justiça, ocorrido meses após sua aposentadoria, mudou esses planos. A agenda intensa do cargo mais uma vez reduziu drasticamente o tempo disponível para a família, uma situação que vinha inquietando o ministro. Antes de entrar para o governo, ele havia reativado seu registro na OAB para advogar, assumido um cargo de árbitro no Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul e prestado consultoria jurídica à Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Consequências e transição no ministério
A saída de Lewandowski provocou um efeito cascata na estrutura do ministério. O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, que já planejava deixar o cargo antes do fim do mandato do presidente Lula, aproveitou a demissão do chefe para também pedir para sair. Sarrubbo se colocou à disposição para auxiliar no processo de transição.
Lewandowski deixará oficialmente o comando da pasta nesta sexta-feira, dia 9 de janeiro. O presidente Lula ainda não definiu seu substituto. Caso um novo ministro não seja nomeado até lá, quem assumirá interinamente as funções será o secretário-executivo da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto, considerado o número dois do Ministério da Justiça.
A movimentação marca o fim de uma gestão que buscava maior integração dos sistemas de investigação para combater o crime organizado, mas que esbarrou em obstáculos políticos e na dinâmica pré-eleitoral que se aproxima no país.