Lewandowski deixa Ministério da Justiça após sinal de desmembramento
Lewandowski comunica a Lula saída do Ministério da Justiça

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, informou oficialmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, que deixará o comando da pasta. A decisão, comunicada em reunião no Palácio do Planalto, será efetivada já na sexta-feira, dia 9.

Motivações para a saída

Segundo apurou a reportagem, Lewandowski já vinha sinalizando desde dezembro seu desejo de deixar o cargo. O principal motivo apresentado ao presidente foi um sentimento de "dever cumprido" em relação à missão que lhe foi confiada, aliado ao cansaço após o período à frente do ministério.

No entanto, outro fator decisivo pesou na balança. Os primeiros acenos do presidente Lula sobre um possível desmembramento do Ministério da Justiça e Segurança Pública foram interpretados pelo ministro como um esvaziamento de suas funções. Essa perspectiva gerou em Lewandowski a sensação de falta de respaldo político por parte do Planalto para continuar seu trabalho.

Quem são os favoritos para a sucessão?

Com a saída iminente de Lewandowski, a corrida pela sucessão no ministério já começou. Inicialmente, o secretário-executivo da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto, aparecia como o nome mais lógico para uma transição natural. Contudo, questões internas ao governo estariam fragilizando essa possibilidade.

Outros nomes ganham força nos corredores do poder. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius de Carvalho, despontam como fortes candidatos.

Há ainda a possibilidade de o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ser lembrado para o posto. Essa alternativa ganhou corpo principalmente depois que o presidente Lula ignorou as articulações do senador Davi Alcolumbre em favor de Pacheco e indicou Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Último ato oficial e defesa da democracia

Em uma de suas últimas agendas como ministro, Ricardo Lewandowski participou, ainda nesta quinta-feira, do ato em defesa da democracia organizado pelo governo federal em Brasília. O evento marcou a memória dos ataques antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.

Foi o primeiro a discursar na cerimônia. O futuro ex-ministro foi enfático ao afirmar que crimes contra o Estado Democrático de Direito, como os atos golpistas de três anos atrás, não merecem perdão e devem ser punidos com rigor.

A comunicação formal da saída ocorreu após Lewandowski já ter conversado, no início desta semana, com auxiliares diretos do governo, deixando claro sua pretensão de deixar o cargo. O capítulo de Lewandowski à frente da Justiça se encerra, portanto, marcado pela sensação de missão concluída, mas também por divergências estratégicas sobre o futuro da pasta.