Justiça de Minas suspende processo contra vereador Lucas Ganem em Belo Horizonte
Justiça suspende processo contra vereador Lucas Ganem em BH

Justiça de Minas suspende processo contra vereador Lucas Ganem em Belo Horizonte

A Justiça de Minas Gerais determinou a suspensão do processo que investiga uma possível infração político-administrativa envolvendo o vereador Lucas Ganem, do Podemos, na Câmara Municipal de Belo Horizonte. A decisão, concedida em caráter liminar, impede temporariamente o avanço da apuração e a tomada de qualquer providência no âmbito do Legislativo municipal até que haja uma nova deliberação judicial.

Fundo do caso e decisão judicial

O entendimento do Judiciário mineiro é que a denúncia em análise trata de uma questão eleitoral, especificamente a suposta fraude na declaração de domicílio eleitoral, cuja apuração cabe exclusivamente à Justiça Eleitoral. Segundo a decisão, a Câmara não pode julgar, de forma administrativa, fatos anteriores ao mandato e que ainda estão sendo analisados pelos órgãos competentes.

Mesmo com a liminar, estava prevista para esta segunda-feira, dia 2, a retomada dos trabalhos da Comissão Processante da Câmara, com a discussão de medidas para ouvir testemunhas e garantir apoio jurídico à investigação. No entanto, o Legislativo informou que até o momento não foi oficialmente notificado da decisão judicial e que a reunião está mantida.

Detalhes sobre as investigações

Lucas Ganem é alvo de um processo político-administrativo de cassação na Câmara Municipal e também de uma ação na Justiça Eleitoral, ambos relacionados à suspeita de fraude na declaração de domicílio eleitoral. Em 18 de dezembro de 2025, a Justiça Eleitoral de Minas Gerais determinou, em primeira instância, a cassação do mandato do vereador por irregularidades na transferência do título eleitoral para Belo Horizonte nas eleições municipais de 2024.

A sentença, assinada pelo juiz Marcos Antônio da Silva, da 29ª Zona Eleitoral, concluiu que Ganem declarou residência em um endereço onde nunca teria morado. A decisão acolheu pedido do Ministério Público Eleitoral e determinou a cassação do mandato, a anulação dos votos recebidos e a declaração de inelegibilidade por oito anos, contados a partir das eleições de 2024.

Por se tratar de decisão de primeira instância, ainda cabe recurso. Assim, a sentença não tem efeito imediato, e Lucas Ganem permanece com direito ao cargo até o esgotamento das possibilidades de contestação judicial. No entanto, ele mesmo pediu afastamento por 121 dias.

Caminhos distintos dos processos

A ação judicial tramita sob sigilo e foi proposta pelo ex-vereador Rubem Rodrigues de Oliveira Junior, conhecido como Rubão, que assumiu como primeiro suplente do Podemos após Ganem pedir uma licença de 121 dias. Segundo a sentença, diligências e dados de órgãos públicos indicaram que o endereço informado como domicílio eleitoral não correspondia à residência do parlamentar.

Paralelamente, a Câmara Municipal instaurou um processo político-administrativo para apurar o mesmo fato. Em 4 de dezembro, o plenário aprovou por unanimidade a abertura da investigação, com 39 votos favoráveis. A Comissão Processante é composta pelos vereadores Bruno Miranda, do PDT, Edmar Branco, do PCdoB, e Helton Junior, do PSD, e tem até 90 dias para conduzir os trabalhos.

Ao final, o relatório será submetido ao plenário, onde a eventual cassação do mandato depende do voto favorável de dois terços dos vereadores, o equivalente a 28 parlamentares. Até o momento, não há decisão judicial que determine o afastamento imediato de Lucas Ganem do cargo, e o pedido de licença partiu do próprio vereador.