Decisão judicial suspende eleição na Assembleia Legislativa do Rio
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou, na noite desta quinta-feira (26), a anulação da sessão que elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj). A medida, tomada poucas horas após a realização da votação, tem impacto direto na linha sucessória do governo estadual, que estava prestes a colocar Ruas como governador interino.
Linha sucessória em suspenso
Com a renúncia do governador Cláudio Castro (PL) e do vice-governador Thiago Pampolha, que assumiu vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), o presidente da Alerj tornou-se o próximo na linha de sucessão. Até então, o deputado Guilherme Delaroli (PL), presidente em exercício da Alerj, não ocupava essa posição por ter assumido o cargo de forma provisória após o afastamento do ex-presidente Rodrigo Bacellar (União Brasil).
Com a eleição de Douglas Ruas como presidente efetivo, ele passaria a ocupar a posição de governador interino. No entanto, a decisão do TJRJ suspende esse cenário, mantendo o desembargador Ricardo Couto, presidente do tribunal, como governador em exercício até nova definição.
Próximos passos do processo
A magistrada Suely Lopes Magalhães, responsável pela decisão, destacou que a cronologia lógica exige primeiro a retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), conforme determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na cassação do mandato de Rodrigo Bacellar. "Primeiro retotalizar os votos, para assegurar a legitimidade da composição da Casa Legislativa e, assim, a higidez do colégio eleitoral", escreveu a desembargadora.
O TRE marcou para a próxima terça-feira (31) a retotalização que vai alterar a composição da Alerj, após a cassação de Bacellar e a anulação dos 97 mil votos obtidos por ele. Esse processo pode levar à convocação de um novo deputado, que também teria direito de disputar a presidência da assembleia.
Críticas da oposição e incertezas jurídicas
Deputados da oposição criticaram duramente a forma como a eleição foi conduzida, apontando descumprimento do regimento interno da Alerj, que prevê prazo maior para convocação de sessões. Parlamentares afirmam que não houve tempo hábil para:
- Formação de chapas
- Articulações políticas
- Retorno de deputados licenciados
Parte da oposição se recusou a votar em protesto e anunciou que vai à Justiça para tentar anular o resultado. Além disso, o TJRJ segue analisando recursos impetrados por deputados insatisfeitos com a condução da eleição.
Estratégia política e cenário eleitoral
Fontes políticas revelam que a eleição de Douglas Ruas faz parte de uma estratégia mais ampla da base aliada para projetá-lo como nome conhecido no cenário estadual, já de olho nas eleições de outubro para governador. Ruas também é visto como principal nome do grupo político para uma eventual eleição indireta na Alerj, prevista para o mês seguinte, que escolheria um governador para mandato tampão até o fim do ano.
Dúvidas sobre tipo de eleição
Especialistas jurídicos apontam que ainda há incertezas sobre se a eleição para o mandato tampão do governo do Rio será direta ou indireta. Enquanto um documento do TSE indica realização de eleição indireta, o acórdão do julgamento ainda não foi publicado, deixando margem para interpretação.
O jurista Gustavo Binenbojm avalia: "Essa é uma questão que precisa ser melhor esclarecida, para que haja certeza sobre se a eleição será direta ou indireta e segurança jurídica para a sociedade." Ele também aponta que o próprio TSE pode revisitar o tema em decisão final.
O cenário político do Rio de Janeiro permanece instável, com desdobramentos que podem impactar diretamente o comando do estado nos próximos meses. A retotalização dos votos e as decisões judiciais pendentes serão determinantes para definir os próximos capítulos dessa crise institucional.



