Defesa de Bolsonaro renova pedido de prisão domiciliar após internação
Defesa de Bolsonaro pede prisão domiciliar após internação

Defesa de Bolsonaro insiste em prisão domiciliar após internação hospitalar

Os advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentaram, nesta terça-feira, 17 de março de 2026, um novo pedido de reconsideração ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a concessão de prisão domiciliar humanitária. A petição foi motivada pela última internação do ex-presidente, ocorrida na sexta-feira da semana anterior, quando ele precisou ser hospitalizado em estado grave.

Argumentos da defesa baseados em riscos à saúde

No documento, a defesa de Bolsonaro argumenta que a permanência na Sala de Estado Maior do Exército, conhecida como Papudinha, não oferece condições adequadas para o atendimento médico necessário. O ex-presidente deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na segunda-feira, 16, mas permanece internado sob uso de antibióticos, sem previsão de alta. Os advogados destacam que o quadro clínico de Bolsonaro, marcado por múltiplas comorbidades, exige vigilância contínua e intervenção imediata em caso de emergências.

"A ausência de acompanhamento contínuo e resposta rápida de equipe de saúde amplia significativamente o risco clínico envolvido", afirma um trecho da petição. A defesa sustenta que, mesmo com a presença de plantão médico na Papudinha, o local não assegura a prontidão necessária para eventos súbitos, como o recente episódio de saúde que levou à internação.

Contexto da prisão e decisões anteriores

Bolsonaro estava inicialmente em prisão domiciliar preventiva em sua residência em Brasília, mas foi transferido para o regime fechado em 22 de novembro de 2025, após confessar a tentativa de romper a tornozeleira eletrônica. Ele foi inicialmente alojado na Sala de Estado Maior da Polícia Federal, mas alegou insuficiência de condições, levando à transferência para a Papudinha em janeiro de 2026.

O ministro Alexandre de Moraes já havia indeferido pedidos anteriores da defesa, argumentando que o próprio ex-presidente provocou a mudança para o regime fechado ao tentar violar a tornozeleira. Em sua decisão, Moraes enumerou os atendimentos médicos, alimentação especial e profissionais de saúde particulares disponíveis para Bolsonaro na prisão, reforçando a adequação das condições.

Desafios do pedido de reconsideração

A petição apresentada nesta terça não constitui um recurso formal, mas sim um pedido de reconsideração direcionado ao próprio relator, Alexandre de Moraes. Para atender à solicitação, o ministro teria que reverter suas decisões anteriores, o que representa um obstáculo significativo. A defesa insiste que a internação recente evidencia a vulnerabilidade do ex-presidente e a necessidade de um ambiente mais seguro e monitorado, como o domicílio.

O caso continua sob análise no STF, com a saúde de Bolsonaro permanecendo como ponto central do debate jurídico. A decisão de Moraes será crucial para definir os próximos passos no cumprimento da pena pelo ex-presidente, condenado por tentativa de golpe de estado.