Crise do Banco Master Atinge o Coração do STF e Amplia Desgaste do Judiciário
As investigações envolvendo o Banco Master ultrapassaram o campo financeiro e atingiram em cheio o Supremo Tribunal Federal, aprofundando uma crise institucional que já vinha se acumulando nos últimos anos. As suspeitas sobre a condução do caso, somadas a questionamentos que envolvem ministros da Corte, reacenderam um desgaste significativo no Judiciário brasileiro.
Percepção Negativa do Judiciário se Consolida na Opinião Pública
Para analistas, o episódio chega à opinião pública como mais um elemento de confirmação de uma percepção negativa já consolidada. "Esse tipo de noticiário reforça avaliações críticas que os brasileiros já têm em relação às instituições, especialmente o Judiciário", afirmou o colunista Mauro Paulino, em análise para VEJA.
Dados do Datafolha Revelam Aumento da Rejeição ao Judiciário
Pesquisa realizada pelo Datafolha no segundo semestre do ano passado mostrou que a avaliação negativa do Judiciário – considerada ruim ou péssima – saltou de 28% para 36% em poucos meses. No mesmo levantamento, a imagem positiva ficou em apenas 29%, ficando abaixo da própria rejeição.
Esse desgaste não é pontual, mas sim um processo contínuo que atravessa diferentes governos e conjunturas políticas. O caso do Banco Master apenas se soma a uma sequência de episódios que colocam a Justiça "na berlinda" diante da população.
Por Que o STF é Especialmente Afetado Pela Crise?
O impacto institucional é maior porque o episódio envolve diretamente o STF e ministros da Corte. Além das críticas à condução do processo relacionado ao Banco Master, surgiram questionamentos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, o que ampliou o alcance político do desgaste.
Na avaliação de especialistas, quando suspeitas recaem sobre a instância máxima do Judiciário, o efeito simbólico é profundo:
- Abala-se a ideia de árbitro imparcial
- Reforça-se a sensação de que não há instâncias plenamente confiáveis no sistema democrático
Justiça Vista Como Distante do Cidadão Comum
Outro dado citado por Paulino ajuda a explicar o tamanho do problema: mais de 90% dos brasileiros acreditam que o Judiciário beneficia mais os ricos do que os pobres. Essa percepção reforça a ideia de uma Justiça seletiva, distante da realidade da maioria da população.
"Quando surgem dúvidas sobre a atuação de ministros do STF, isso se encaixa perfeitamente nessa visão já cristalizada de que as instituições não trabalham para o cidadão comum", explicou o analista.
Crise Institucional Alimenta Radicalização Política
O enfraquecimento da confiança nas instituições abre espaço para discursos antissistema e para a negação da própria política. Segundo Paulino, esse processo se intensificou a partir das manifestações de 2013 e criou terreno fértil para lideranças radicais e aventureiras.
Esse ambiente ajuda a explicar a ascensão de figuras como o deputado Nikolas Ferreira, que recentemente mobilizou apoiadores em Brasília em atos de forte apelo emocional e discurso agressivo contra instituições, incluindo o STF.
Impacto na Convivência Democrática
Na avaliação do colunista, o resultado é uma política cada vez menos racional e mais emocional. O debate público cede espaço à agressividade, à desinformação e a episódios de violência simbólica – e, em alguns casos, física.
Essa radicalização transborda da esfera institucional para o cotidiano:
- Afecta relações familiares
- Impacta ambientes de trabalho
- Influencia grupos de WhatsApp
- Até escolhas pessoais, como onde morar
"A convivência política dos brasileiros se tornou muito mais difícil", resumiu Paulino.
O Que Está em Jogo Para a Democracia Brasileira?
O caso Banco Master, ao atingir o STF, não representa apenas um problema jurídico ou administrativo. Ele se soma a um processo mais amplo de erosão da confiança democrática.
Quando todas as instituições – Judiciário, Congresso e Executivos – passam a ser vistas com desconfiança, o espaço para soluções autoritárias e simplificadoras se amplia. Sem recuperar credibilidade, transparência e capacidade de diálogo com a sociedade, o risco é que crises como essa deixem de ser exceção e passem a integrar um cenário permanente de instabilidade institucional.