CPI do INSS encerra sem relatório final após 16 horas de impasse político
CPI do INSS termina sem aprovar relatório final após maratona

CPI do INSS encerra trabalhos sem aprovar relatório final após maratona de debates

Depois de uma intensa maratona de quase dezesseis horas de discussões acaloradas, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encerrou seus trabalhos na madrugada deste sábado, dia 28, sem conseguir aprovar um relatório final. O documento, elaborado pelo deputado Alfredo Gaspar, do União Brasil, propunha o indiciamento de 216 pessoas por crimes graves, incluindo organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva.

Troca de acusações entre governo e oposição marca sessão

Durante a longa sessão, parlamentares da base governista e da oposição travaram um embate verbal sobre as origens dos desvios e as responsabilidades no combate às irregularidades. O deputado Rogério Correia, em tom crítico, afirmou: "Essa é a gênese do que aconteceu, e o governo Bolsonaro não combateu. Foi preciso o governo do presidente Lula para iniciar esse combate, por meio da Controladoria-Geral, da Polícia Federal e da comissão. O relatório parecia abordar apenas o que aconteceu após o governo Bolsonaro, como se não existisse passado. Parece uma sina dos bolsonaristas: esquecem o passado. É o negacionismo da história".

Em resposta, o senador Rogério Marinho rebateu: "Foi esta comissão que impediu a investigação seletiva. Quando a AGU e a CGU começaram a se debruçar de forma mais séria sobre o tema, apenas 11 entidades estavam na investigação inicial. Foi a CPMI que fez com que essa apuração fosse ampliada para mais de 30 associações, inclusive aquelas protegidas pelo governo atual".

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Relatório alternativo e votação tumultuada

Parlamentares da base apresentaram um relatório alternativo durante a madrugada, buscando uma solução para o impasse. A senadora Eliziane Gama levantou uma questão de ordem, defendendo que o texto alternativo fosse submetido à votação. "Vencido o relator e havendo a apresentação de relatório alternativo, é consequência lógica das disposições regimentais que ele seja submetido à apreciação do colegiado na mesma reunião, se a maioria assim decidir", argumentou ela.

A votação do relatório oficial começou após a 1 hora da madrugada e resultou em rejeição por 19 parlamentares da base do governo e do Centrão, enquanto 12 da oposição votaram a favor. Diante do resultado, o presidente da comissão, senador Carlos Viana, indeferiu o pedido da senadora Eliziane Gama, afirmando: "Compete a esta presidência decidir sobre a designação de um novo relator quando este é vencido. Não há prazo para essa designação, que é discricionária. Desse modo, a questão de ordem é descabida".

Encaminhamentos e legado da CPI

O senador Carlos Viana informou que uma cópia do relatório de Alfredo Gaspar será enviada à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República, garantindo que as investigações continuem por outras vias. A CPI mista do INSS, que teve duração de seis meses, foi criada com o objetivo de investigar descontos ilegais em benefícios de milhões de aposentados e pensionistas. Segundo estimativas da Polícia Federal, o esquema criminoso pode ter desviado até R$ 6 bilhões, um valor que impactou significativamente a vida de cidadãos brasileiros.

O encerramento sem a aprovação do relatório final deixa um legado de polarização e questionamentos sobre a eficácia das comissões parlamentares em apurar crimes de grande magnitude. A falta de consenso reflete as profundas divisões políticas no Congresso Nacional, que dificultam ações conjuntas contra a corrupção e em defesa dos direitos dos contribuintes.

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