Câmara de Ribeirão Preto instala comissão para investigar vereador por suspeita de 'rachadinha'
Comissão em Ribeirão Preto investiga vereador por 'rachadinha'

Câmara de Ribeirão Preto instala comissão para investigar vereador por suspeita de 'rachadinha'

A Câmara Municipal de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, deu um passo decisivo nesta segunda-feira (2) ao instalar uma comissão processante contra o vereador Lincoln Fernandes, filiado ao Partido Liberal (PL). A medida foi tomada após representantes do Conselho de Ética da Casa legislativa devolverem o caso à presidência, argumentando que uma comissão processante é o procedimento mais adequado para tratar das denúncias envolvendo o parlamentar.

Detalhes da instalação e composição da comissão

A instalação da comissão ocorreu de forma oficial, com a definição dos integrantes por meio de sorteio. O grupo será presidido por Jean Coraucci, do Partido Social Democrático (PSD), e terá Judeti Zilli, do Partido dos Trabalhadores (PT), como relatora, além de Sargento Lopes, também do PL, como membro. A comissão tem um prazo máximo de 90 dias para concluir seus trabalhos, ao final dos quais deverá decidir pela absolvição ou pela cassação do mandato de Lincoln Fernandes.

É importante destacar que, diferentemente do que ocorre no Conselho de Ética, a comissão processante não prevê a possibilidade de afastamento do vereador como uma das sanções intermediárias. Isso significa que o processo seguirá diretamente para uma decisão final sobre a permanência ou não de Fernandes no cargo.

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Contexto das denúncias e processo de cassação

As investigações giram em torno da suspeita de que Lincoln Fernandes tenha praticado a chamada 'rachadinha', um esquema no qual um político recolhe parte dos salários de seus assessores como condição para mantê-los empregados. Atualmente, o vereador ocupa a posição de segundo secretário na Mesa Diretora da Câmara, o que torna as acusações ainda mais graves no âmbito da administração pública.

A abertura do processo de cassação foi aprovada na última quarta-feira (25) por 20 vereadores, em uma votação que contou com a abstenção do próprio Lincoln Fernandes e do presidente da Câmara, Isaac Antunes, também do PL. Conforme o regimento interno, o presidente só vota em caso de desempate, o que não ocorreu nessa ocasião.

Reação da defesa e próximos passos

Em resposta às acusações, a defesa de Lincoln Fernandes expressou 'inconformismo e repúdio' diante da abertura do processo de cassação. Em nota, alegou que o processo se baseia 'estritamente em informações inverídicas e flagrantemente falsas'. A defesa ainda afirmou que buscará a apuração e responsabilização de quem 'utiliza o aparato público para fins espúrios e caluniosos', indicando uma possível contraofensiva jurídica ou política.

Com a comissão já instalada, os trabalhos de investigação devem avançar rapidamente, focando na coleta de provas e depoimentos relacionados às denúncias. O caso tem gerado ampla repercussão na região de Ribeirão Preto e Franca, refletindo preocupações mais amplas sobre ética e transparência na política municipal.

Enquanto isso, a população aguarda o desfecho desse processo, que pode resultar em uma cassação histórica ou na absolvição do vereador, dependendo das conclusões da comissão processante nos próximos três meses.

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