Câmara de Ribeirão Preto rejeita processo contra vereador por fala sobre 'pobre fazendo pobrice'
Câmara rejeita processo contra vereador por fala sobre pobres

Câmara de Ribeirão Preto arquiva denúncia contra vereador por comentário em grupo de WhatsApp

A Câmara Municipal de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, decidiu nesta segunda-feira, dia 2, não dar seguimento a um processo por quebra de decoro contra o vereador André Rodini, do partido Novo. A decisão ocorreu após uma denúncia apresentada por um ex-funcionário do parlamentar, que acusou Rodini de fazer comentários pejorativos contra pessoas de baixa renda em um grupo de mensagens privado.

Denúncia baseada em mensagem sobre distribuição de bolo

O caso teve origem em setembro do ano passado, durante as discussões sobre a comemoração do aniversário de 125 anos do Mercado Municipal da cidade. Segundo a representação protocolada, o vereador teria utilizado a expressão "pobre fazendo pobrice" ao se referir à distribuição gratuita de bolo que ocorreria no evento. A fala teria sido feita em um grupo de WhatsApp destinado a tratar da agenda oficial e de oportunidades de interação com a população.

O autor da denúncia, Alexandre Meirelles Nogueira, que era assessor de Rodini na época, alegou que a conduta do parlamentar configurava discriminação, caracterizada como aporofobia – termo que designa aversão ou preconceito contra pessoas pobres. Ele afirmou ainda que, dois dias após a mensagem, advertiu o vereador sobre o caráter inadequado do comentário.

Votação rejeita abertura de processo por ampla maioria

A discussão sobre o tema aconteceu de forma virtual, antes da votação das pautas da primeira sessão ordinária de 2026, devido a obras na sede do Legislativo. Após a leitura da denúncia, o vereador André Rodini pediu apoio aos colegas, argumentando que a fala foi feita "em tom de brincadeira em um ambiente fechado de trabalho".

Por 16 votos a 3, os parlamentares decidiram negar o pedido de abertura de processo, o que significa que o caso não será encaminhado ao Conselho de Ética. Em sua defesa, Rodini ressaltou que a representação poderia prejudicar não apenas sua imagem, mas também o trabalho desenvolvido pelos vereadores na Casa.

Contexto da demissão e alegações de retaliação

O denunciante relatou que, dois dias após advertir o vereador sobre a mensagem, foi procurado por Rodini e solicitado a deixar o cargo de assessor. A saída efetiva ocorreu no início de novembro. Em sua defesa, o parlamentar afirmou que a fala não foi direcionada a nenhuma pessoa específica nem ao Mercado Municipal, e que o autor da denúncia havia sido demitido por baixa produtividade.

Rodini também alegou que a tentativa era de prejudicá-lo politicamente, destacando que assuntos tratados dentro do gabinete deveriam permanecer no âmbito interno. Ele questionou ainda a possibilidade de vazamento das mensagens, sugerindo que algum membro do grupo teria facilitado a divulgação.

Com a rejeição da denúncia, o caso foi encerrado na Câmara de Ribeirão Preto, sem maiores consequências disciplinares para o vereador. A decisão reflete um debate mais amplo sobre os limites da liberdade de expressão em ambientes privados e a responsabilidade dos agentes públicos em suas comunicações.