O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que a Polícia Federal (PF) se manifeste sobre uma reclamação feita pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os advogados alegam que o barulho do ar-condicionado na sala onde ele está preso na Superintendência da PF em Brasília compromete seu repouso e saúde.
Queixa da defesa e pedido de Moraes
Na última sexta-feira, a defesa de Bolsonaro protocolou um pedido de providências junto ao STF. Os advogados argumentaram que o ruído constante do equipamento de ar-condicionado gera uma perturbação à saúde e à integridade física e psicológica do ex-presidente.
Eles afirmam que o barulho "gera ambiente incompatível com o repouso mínimo necessário" para a manutenção das condições de Bolsonaro. Como solução, a defesa sugeriu a mudança do local do aparelho ou a instalação de isolamento acústico na cela.
Diante da reclamação, o ministro Alexandre de Moraes pediu esclarecimentos à Polícia Federal e deu um prazo de cinco dias para que a corporação se manifeste sobre o caso.
Local da prisão e histórico de saúde
Jair Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde novembro, após danificar sua tornozeleira eletrônica e ter o regime domiciliar revogado. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A sala que ele ocupa, no térreo do prédio, é mobiliada com:
- Cama
- Banheiro privativo
- Mesa de trabalho
- Televisão
- Frigobar
- Ar-condicionado
O espaço é reservado para autoridades e outras figuras públicas. Já passaram por lá o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o senador Delcídio do Amaral, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda e o ex-juiz João Carlos Rocha Mattos.
Bolsonaro retornou à PF no dia 1º de janeiro de 2026, após passar oito dias internado em um hospital. Ele foi tratado de uma hérnia na virilha e de crises de soluço, problemas decorrentes da facada que sofreu durante a campanha eleitoral de 2018.
Contexto político e decisões judiciais recentes
No mesmo dia em que Bolsonaro voltou para a prisão, o ministro Alexandre de Moraes negou um pedido da defesa para que o ex-presidente cumprisse pena em regime domiciliar após a alta hospitalar.
Em sua decisão, Moraes destacou que, "diferentemente do alegado pela defesa, não houve agravamento da situação de saúde de Jair Messias Bolsonaro, mas, sim, quadro clínico de melhora". O ministro se baseou em laudos médicos que apontavam recuperação após as cirurgias eletivas.
Os médicos concluíram que, após três cirurgias para tratar os soluços, houve melhora no estado de Bolsonaro, mas que ele precisará seguir com tratamentos não invasivos para controlar o problema.
Enquanto isso, no cenário político, a eleição para o Senado em 2026 começa a se desenhar. Dois terços das vagas, ou seja, 54 cadeiras, estarão em disputa. Aliados bolsonaristas têm como objetivo aumentar a bancada na Casa para pressionar ministros do STF.