Em 20 anos, 126 magistrados sofreram aposentadoria compulsória como punição, revela CNJ
126 magistrados punidos com aposentadoria compulsória em 20 anos

Em duas décadas, 126 magistrados foram penalizados com aposentadoria compulsória, conforme dados do CNJ

Às vésperas da votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a senadora Eliziane Gama (PSB-MA), relatora da Proposta de Emenda à Constituição que elimina a aposentadoria compulsória como sanção para juízes, militares e membros do Ministério Público, tenta contornar pressões para estabelecer uma exceção no texto.

Associações de juízes buscam condicionar perda de cargo a decisão judicial definitiva

Entidades representativas dos magistrados tentam vincular a destituição do cargo à existência de uma decisão judicial transitada em julgado. Pela proposta em análise, a punição poderá ser aplicada em casos de faltas graves que tenham sido condenadas em processos administrativos, cuja tramitação tende a ser mais ágil.

Apesar da intensa pressão, senadores resistem em adotar essa defesa, considerando o contexto eleitoral e o potencial desgaste junto à opinião pública.

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Entenda a mudança constitucional que retirou a aposentadoria compulsória como penalidade

Outra tentativa de modificar a proposta foi realizada pelo ex-juiz e senador Sérgio Moro (PL-PR). Em sua emenda, o parlamentar limita quais crimes poderiam ser punidos com a perda do cargo, incluindo corrupção, favorecimento a organizações criminosas e delitos cometidos com grave violência contra pessoas.

O relatório de Eliziane Gama será votado nesta quarta-feira (8) na CCJ do Senado. Ela não pretende aceitar alterações porque acredita que o texto está alinhado à recente decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.

Decisão de Dino reforça perda de mandato como sanção mais severa

No último dia 16, o ministro determinou que o Conselho Nacional de Justiça deverá aplicar a perda de mandato como punição mais grave para violações disciplinares. No despacho, contudo, o próprio Dino estabelece que, uma vez decretada a penalidade, ela precisa ser referendada pelo STF.

A PEC é de autoria de Dino, que apresentou o texto antes de ser nomeado ministro do Supremo. "Aposentadoria se destina a assegurar dignidade ao trabalhador que, após regular cumprimento de suas obrigações laborais, deve ser transferido para a inatividade. Esse pressuposto torna inadequada a utilização do instituto da aposentadoria para justificar 'aparente queba' de vínculo entre o Poder Público e o servidor que tenha cometido conduta grave que acarrete alto grau de desmoralização do serviço público e perda da confiança nas instituições públicas", argumentou o então parlamentar.

Casos emblemáticos ilustram abusos na aplicação da aposentadoria compulsória

Durante a leitura de seu voto, a senadora Eliziane Gama pretende enumerar casos nos quais a aposentadoria compulsória foi aplicada como punição. Um deles é o do juiz Peter Eckschmidt, acusado de desviar dinheiro de ações que julgava. Desde que se aposentou, ele vem recebendo, em média, R$ 93 mil líquidos mensais, conforme o Portal da Transparência do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Outro magistrado que deve ser citado é Orlan Donato Rocha, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Ele foi acusado de assédio e importunação sexual entre os anos de 2014 e 2022 contra funcionárias do seu gabinete.

Leia também: Em 20 anos, 126 magistrados foram punidos com aposentadoria compulsória, diz CNJ. Ao menos 40 magistrados punidos com aposentadoria deveriam ter perdido o cargo, segundo tese de Dino. Termos genéricos como 'juros de mora' e 'adicionais temporais' camuflam penduricalhos em salários de magistrados.

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