Zelensky propõe trégua energética à Rússia para aliviar crise global do petróleo
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, instou a Rússia nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, a concordar com um cessar-fogo nos ataques contra instalações de energia ucranianas. A proposta surge em meio ao agravamento da crise global de petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, que tem pressionado aliados a sugerirem moderação por parte de Kiev.
Proposta de cessar-fogo e pressão internacional
"Se a Rússia estiver pronta para parar de atingir as instalações de energia ucranianas, não responderemos contra seu setor de energia", declarou Zelensky a jornalistas. O líder ucraniano acrescentou que Kiev está aberta a uma trégua de Páscoa, destacando que a iniciativa visa aliviar a queda no fornecimento global de combustível.
A declaração ocorre após Zelensky revelar que aliados da Ucrânia enviaram "sinais" sugerindo a redução de ataques de longo alcance contra o setor petrolífero russo. "Recentemente, após uma crise energética global tão grave, de fato recebemos sinais de alguns de nossos parceiros sobre como reduzir nossas respostas no setor de petróleo e no setor de energia da Federação Russa", explicou o presidente.
Crise energética global e impacto nos preços
A guerra travada entre Estados Unidos, Israel e Irã tem pressionado drasticamente a oferta internacional de petróleo, gás e derivados. O Estreito de Ormuz, vital rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente, foi fechado por Teerã desde o início do conflito. Além disso, refinarias, depósitos de combustível e petroleiros ligados a nações árabes aliadas de Washington tornaram-se alvos iranianos no último mês.
Esses fatores levaram o barril de Brent, referência mundial, a disparar de US$ 60 para mais de US$ 100, atingindo picos próximos a US$ 120. De acordo com o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, entre 30% e 40% da capacidade de refino do Golfo Pérsico foi danificada ou destruída pelos ataques retaliatórios do Irã, causando um déficit de 11 milhões de barris por dia nos mercados globais.
Lescure alertou que a restauração das instalações danificadas pode levar até três anos, enquanto a retomada das operações daquelas fechadas com urgência exigirá vários meses. A queda no fornecimento já levou a Agência Internacional de Energia (AIE) a liberar 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais, com estudos para uma nova leva em andamento.
Acordos estratégicos e reforço do fornecimento
Após uma viagem de quatro dias pelo Oriente Médio, Zelensky afirmou ter fechado acordos para reforçar o fornecimento de energia à Ucrânia. Entre eles está um contrato para entrega de diesel por um ano, essencial para as Forças Armadas e para o setor agrícola, base da economia do país.
Durante a visita, Kiev assinou acordos de cooperação com Arábia Saudita e Catar, e negocia uma parceria semelhante com os Emirados Árabes Unidos. Em troca, segundo a imprensa ucraniana, Zelensky teria oferecido auxílio a nações do Golfo contra ataques de enxames de drones iranianos, aproveitando a experiência das Forças Armadas da Ucrânia com métodos semelhantes empregados pela Rússia ao longo de quatro anos de guerra.
A proposta de trégua energética e os acordos no Oriente Médio refletem a complexa interação entre o conflito na Ucrânia e a crise global de energia, com Zelensky buscando equilibrar interesses estratégicos enquanto enfrenta pressões internacionais por estabilidade nos mercados.



