O governo da Venezuela anunciou nesta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, a decisão de libertar um número significativo de presos, tanto estrangeiros quanto venezuelanos. A medida foi apresentada como um gesto unilateral de paz, em meio a um cenário de extrema instabilidade no país, que vive sob estado de emergência após uma ação militar conduzida pelos Estados Unidos.
Um anúncio em meio à crise
A declaração foi feita pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, Delcy Rodríguez. Em coletiva de imprensa, ele afirmou que a soltura dos detidos deve ocorrer nas próximas horas e enfatizou que a iniciativa parte exclusivamente do governo bolivariano e das instituições do Estado.
“Considere-se este gesto do Governo Nacional de ampla intenção de busca da paz”, declarou Rodríguez. Ele foi categórico ao afirmar que a ação não representa um acordo com qualquer outra parte, sendo uma decisão autônoma.
Reconhecimento internacional e contexto tenso
Durante seu pronunciamento, o parlamentar agradeceu publicamente a três figuras: o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o regime do Catar. Segundo ele, esses atores sempre apoiaram o povo venezuelano. No entanto, não ficou claro se há um envolvimento direto deles no processo de libertação anunciado.
O anúncio ocorre apenas cinco dias após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro, durante uma operação militar americana em Caracas. Este é o primeiro ato do gênero sob a gestão interina de Delcy Rodríguez e atende a uma antiga reivindicação da oposição venezuelana.
A medida também segue de perto o anúncio de um plano em três fases para a Venezuela pós-Maduro, feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. A primeira fase desse plano prevê justamente a estabilização do país e a libertação de presos políticos.
Os números da detenção e a repressão nas ruas
De acordo com dados da ONG Foro Penal, existem atualmente 806 presos políticos na Venezuela, sendo 175 deles membros das Forças Armadas. Este número, embora alto, representa uma queda expressiva em relação a 2024, quando o conturbado processo eleitoral daquele ano levou a um recorde de 1.780 detidos.
O país segue em estado de emergência e testemunha uma intensificação da repressão. O governo de Caracas aumentou o efetivo policial nas ruas e mantém uma presença constante de outras forças de segurança, incluindo os colectivos, milícias armadas ligadas ao regime.
Relatos do jornal The New York Times indicam um aumento no número de detenções de jornalistas. Além disso, postos de controle foram estabelecidos em todo o território nacional para fiscalização, em um claro movimento de controle do fluxo de pessoas e informações.
A libertação anunciada, portanto, surge como um ponto de luz em um contexto ainda muito sombrio, mas seu impacto real e suas motivações profundas seguem sendo observados com cautela pela comunidade internacional e pela oposição interna.