A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, realizou uma significativa reestruturação nos principais cargos de segurança e economia do seu governo. As mudanças foram anunciadas na noite de terça-feira, 6 de janeiro de 2026, em meio a um cenário de intensa pressão internacional e disputas sobre o setor petrolífero do país.
Reorganização na Segurança Nacional
Segundo informações da televisão estatal venezuelana, Rodríguez determinou a substituição do comando da Guarda de Honra Presidencial e da Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM). O novo chefe de ambas as instituições será o general Gustavo González López.
González López é uma figura controversa, alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia. As penalidades foram aplicadas devido a acusações de violações de direitos humanos e repressão a opositores políticos, com destaque para seu papel durante os protestos antigovernamentais de 2014.
O general, que foi chefe dos serviços de inteligência no governo de Nicolás Maduro, vinha atuando em funções estratégicas ligadas à estatal petrolífera PDVSA ao lado da própria Delcy Rodríguez. Ele assume o lugar de Javier Marcano Tábata, que também está sob sanções de Washington.
Mudanças no Comando Econômico
Paralelamente às alterações na área de segurança, a presidente interina anunciou uma troca no comando da economia. Calixto Ortega, ex-presidente do Banco Central da Venezuela, foi nomeado vice-presidente da Economia.
Ortega substitui a própria Delcy Rodríguez, que acumulava o cargo enquanto chefiava o Ministério de Hidrocarbonetos. Essa acumulação terminou após a operação militar americana que resultou na captura de Nicolás Maduro.
Com trajetória ligada ao setor petrolífero e experiência em funções diplomáticas e financeiras, Ortega terá a missão, segundo Rodríguez, de "reforçar a produção nacional e a soberania alimentar", além de consolidar o desempenho econômico registrado em 2025.
Contexto de Pressão Externa
As movimentações no alto escalão do governo interino venezuelano ocorrem em um momento delicado. Elas foram anunciadas apenas um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar ter obtido um compromisso de Caracas.
Trump declarou que a Venezuela concordou em enviar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo ao mercado americano. Segundo ele, os recursos seriam administrados por Washington "em benefício dos povos dos dois países".
A declaração gerou reação imediata. Em discurso televisionado, Delcy Rodríguez foi enfática ao afirmar que "nenhuma potência estrangeira governa a Venezuela", buscando reafirmar a soberania do país diante da pressão externa.
Internamente, a nomeação de González López é vista como um movimento estratégico em um momento de recomposição de forças. Considerado próximo de Diosdado Cabello, ministro do Interior e uma das figuras mais influentes do chavismo, sua ascensão pode representar um alinhamento com esse setor ou uma manobra de Rodríguez para consolidar seu próprio poder.
As mudanças refletem a complexidade do cenário político e econômico venezuelano, marcado por disputas internas, sanções internacionais e a tentativa de reestruturar a principal fonte de recursos do país: o petróleo.