Venezuela: Protestos em 130 cidades exigem libertação de presos políticos após anúncio de anistia
Venezuela: Protestos em 130 cidades por presos políticos

Venezuela: Protestos em 130 cidades exigem libertação de presos políticos após anúncio de anistia

Neste domingo, 1º de fevereiro de 2026, a Venezuela foi palco de uma onda de manifestações que tomou as ruas de mais de 130 municípios em todo o país. Os protestos, organizados por familiares, ativistas e cidadãos comuns, tinham como principal objetivo exigir a libertação de todos os presos políticos e uma transição efetiva para a democracia. A mobilização ocorreu apenas dois dias após o governo interino de Caracas anunciar uma proposta de lei de anistia para centenas de dissidentes, gerando esperanças, mas também críticas sobre o ritmo das libertações.

Determinação popular e liderança de María Corina Machado

Em uma publicação na rede social X, a líder opositora e vencedora do Nobel da Paz de 2025, María Corina Machado, destacou a força dos manifestantes. "Hoje, em mais de 130 municípios da Venezuela, cidadãos saíram para se reunir, exigir a libertação de todos os presos políticos, receber os que foram libertados e acompanhar os parentes que ainda estão em vigília fora das prisões", afirmou Machado. Suas palavras ecoaram a determinação de um povo que, segundo ela, está decidido a ser livre, reforçando o caráter massivo e organizado dos protestos.

Mobilização nas redes sociais e apoio religioso

As manifestações foram amplamente documentadas e divulgadas nas redes sociais pela organização Comando ConVzla, que compartilhou imagens de moradores protestando e classificou a situação dos detentos como um "sequestro". Além disso, informações do jornal venezuelano El Nacional revelaram que ativistas e familiares se reuniram em igrejas católicas de 13 estados do país para orar pelos presos políticos, mostrando uma dimensão espiritual e comunitária do movimento.

Anúncio da lei de anistia e libertações iniciais

Os protestos ocorreram em um contexto de anúncio governamental. A presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, revelou uma proposta de "lei de anistia" para centenas de presos, com os primeiros dissidentes sendo libertados já no domingo. De acordo com a ONG Foro Penal, 30 presos políticos foram soltos nesse dia. Rodríguez também afirmou que o notório centro de detenção El Helicoide, frequentemente apontado como local de tortura, seria convertido em um centro de esportes e serviços sociais.

Vigília em El Helicoide e críticas ao ritmo das libertações

Em frente a El Helicoide, familiares de dissidentes políticos completaram o 25º dia de vigília, recebendo apoio inclusive de ativistas recentemente libertados, como o defensor de direitos humanos Javier Tarazona. No entanto, apesar das libertações, há insatisfação. O Foro Penal estima que mais de 300 presos políticos foram libertados por Caracas nas últimas semanas, mas cerca de 700 ainda seguem detidos, incluindo figuras proeminentes como o advogado Perkis Rocha e o político de oposição Juan Pablo Guanipa, aliados de Machado.

Familiares e defensores de direitos humanos reclamam que as libertações estão ocorrendo em um ritmo excessivamente lento e exigem que as acusações e condenações contra os detentos sejam completamente apagadas. Essa pressão reflete a desconfiança em relação às intenções do governo e a busca por uma justiça mais ampla e duradoura.

Contexto político conturbado na Venezuela

A situação política na Venezuela permanece instável desde que uma ação militar liderada pelos Estados Unidos capturou o ex-presidente Nicolás Maduro e o levou para uma prisão em território americano. Esse episódio fragilizou o regime bolivariano, que controlava o país há mais de 20 anos, e incentivou muitos venezuelanos a irem às ruas para pressionar por mudanças. Os protestos recentes são um reflexo desse cenário de transição, onde a sociedade civil busca acelerar o processo democrático e garantir a liberdade para todos os presos políticos.

Em resumo, os protestos em mais de 130 cidades venezuelanas destacam a luta contínua por direitos humanos e democracia, com a população demonstrando resiliência e determinação diante de um governo que tenta equilibrar anistias com demandas por justiça mais ampla.