Em uma reviravolta significativa nos acontecimentos recentes, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, estendeu uma oferta de cooperação aos Estados Unidos. A proposta ocorre menos de 48 horas após as forças americanas terem capturado o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar.
Mudança de tom no governo interino
Através de uma declaração publicada em suas redes sociais no domingo, 4 de janeiro de 2026, Rodríguez adotou um tom conciliador, marcando uma nítida diferença em relação às críticas veementes feitas no dia anterior. A presidente em exercício, que também ocupa o cargo de ministra do Petróleo, convidou o governo dos EUA para uma agenda focada no "desenvolvimento compartilhado" dentro do marco do direito internacional.
"Convidamos o governo dos EUA a colaborar conosco em uma agenda de cooperação orientada para o desenvolvimento compartilhado dentro da estrutura do direito internacional para fortalecer a coexistência duradoura da comunidade", escreveu Rodríguez. Ela acrescentou: "O presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra".
Ameaças de Trump e acusações contra Maduro
Enquanto isso, o presidente americano, Donald Trump, fez novas declarações ameaçadoras. A bordo do Air Force One, no domingo, ele afirmou que poderia ordenar um novo ataque caso a Venezuela não cooperasse com os esforços estadunidenses para reabrir sua indústria petrolífera e combater o tráfico de drogas. Trump também estendeu suas ameaças militares à Colômbia e ao México, e comentou sobre a situação em Cuba.
As declarações de Rodríguez surgem na véspera de um evento crucial: o comparecimento de Nicolás Maduro, de 63 anos, a um tribunal federal em Nova York nesta segunda-feira, 5 de janeiro. Maduro enfrenta acusações de narcoterrorismo apresentadas inicialmente em 2020, que foram atualizadas no sábado para incluir sua esposa. As alegações o acusam de conspirar com grupos como o Cartel de Sinaloa e a gangue Tren de Aragua.
Reações internacionais e questionamentos legais
A invasão americana e a captura de um chefe de Estado estrangeiro geraram uma onda de críticas e dúvidas sobre sua legalidade. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir nesta segunda-feira para discutir o caso, após o secretário-geral António Guterres classificar a ação como um "precedente perigoso". A China se juntou às críticas, exigindo a libertação do casal preso.
Mesmo dentro dos Estados Unidos, a oposição democrata questiona a transparência do governo Trump sobre sua política venezuelana. O secretário de Estado, Marco Rubio, deve prestar esclarecimentos a legisladores no Capitólio ainda hoje.
A situação coloca a Venezuela, uma nação que já foi próspera e hoje enfrenta uma crise econômica e humanitária profunda, em um caminho de incerteza ainda maior. A possível remoção de Maduro, no poder há mais de 12 anos, pode desestabilizar ainda mais o país de 28 milhões de habitantes, onde cerca de 20% da população já emigrou.