O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um anúncio significativo sobre as relações comerciais com a Venezuela nesta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026. Segundo ele, o país sul-americano se comprometeu a utilizar os recursos financeiros obtidos com a venda de petróleo aos EUA exclusivamente para a aquisição de produtos fabricados em solo americano.
Detalhes do acordo comercial e petrolífero
Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump detalhou o entendimento. "Acabo de ser informado de que a Venezuela passará a comprar APENAS produtos fabricados nos Estados Unidos, com o dinheiro que receberá do nosso novo acordo de petróleo", escreveu o líder republicano.
O mandatário listou alguns dos itens que serão adquiridos, incluindo produtos agrícolas, medicamentos, dispositivos médicos e equipamentos para melhorar a infraestrutura elétrica e energética venezuelana. Trump classificou a decisão como "uma escolha sábia e algo muito positivo para o povo da Venezuela e dos Estados Unidos".
Este anúncio complementa a revelação feita por Trump na terça-feira, 6 de janeiro, sobre o envio de entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano de alta qualidade para os Estados Unidos. O republicano afirmou que o petróleo, já sancionado, será vendido ao preço de mercado e que o dinheiro arrecadado será controlado diretamente por sua presidência.
"Esse dinheiro será controlado por mim, como Presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos", declarou Trump, acrescentando que instruiu o Secretário de Energia, Chris Wright, a executar o plano imediatamente. O transporte será feito por navios de armazenamento diretamente para terminais americanos.
Contexto político: a queda de Maduro e o governo interino
Os anúncios ocorrem em um momento de profunda transformação política na Venezuela. O ditador Nicolás Maduro foi derrubado e capturado na madrugada do último sábado, 3 de janeiro, junto com sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados para Nova York.
Na sequência dos eventos, Delcy Rodríguez, que era vice de Maduro, tomou posse como presidente interina do país na segunda-feira, dia 5. Em entrevista à NBC News, Donald Trump afirmou que Rodríguez tem cooperado com as autoridades americanas, mas negou qualquer comunicação ou aviso prévio entre os EUA e seus interlocutores antes da queda do antigo regime.
Na mesma entrevista, o presidente americano descartou a realização de novas eleições na Venezuela em um prazo curto, como trinta dias. "Não dá para ter uma eleição. Não há como as pessoas sequer conseguirem votar", justificou Trump, defendendo que é necessário primeiro "consertar o país" e que esse processo "vai levar um período de tempo".
Implicações e próximos passos
O acordo delineado por Trump representa uma reorientação radical das relações econômicas entre os dois países. Ao vincular a receita petrolífera a compras exclusivamente americanas, os EUA fortalecem sua balança comercial e criam um canal direto de influência na reconstrução da infraestrutura crítica venezuelana.
O controle direto dos fundos pela presidência americana também é um ponto notável, indicando um alto nível de envolvimento e supervisão dos EUA no processo pós-Maduro. A prioridade, segundo as declarações, será a recuperação interna da Venezuela antes de qualquer retorno à normalidade democrática com eleições.
O cenário que se desenha é de uma parceria estratégica direta e condicionada, onde a assistência econômica e a abertura comercial estão intrinsecamente ligadas à cooperação política com o governo interino e aos interesses comerciais dos Estados Unidos.