Em um comunicado oficial divulgado neste domingo, 4 de janeiro de 2026, a União Europeia (UE) se posicionou sobre a recente intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro. A declaração, assinada pela chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, equilibra críticas à legitimidade de Maduro com um firme apelo para que o futuro político do país seja determinado por seus próprios cidadãos.
Posicionamento da UE: Crítica e Apelo à Soberania
A União Europeia afirmou estar em contato com o governo dos Estados Unidos sobre o caso. O bloco reiterou sua posição de longa data de que Nicolás Maduro "carece da legitimidade de um presidente democraticamente eleito". No entanto, em um ponto crucial, a declaração europeia sustenta que "o direito do povo venezuelano de determinar seu próprio futuro deve ser respeitado".
O posicionamento foi apoiado por 26 dos 27 países-membros da UE, com a Hungria sendo a única nação a não endossar o texto. A declaração pede "calma e moderação por parte de todos os atores, a fim de evitar uma escalada e garantir uma solução pacífica para a crise".
Princípios Internacionais e Papel do Conselho de Segurança
O comunicado enfatiza a necessidade de respeito aos princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas em todas as circunstâncias. A UE destacou que os membros do Conselho de Segurança da ONU têm uma "responsabilidade particular" em defender esses princípios, vistos como um pilar da arquitetura de segurança global.
"A UE tem defendido uma transição pacífica para a democracia na Venezuela, liderada pelos próprios venezuelanos e respeitosa da soberania do país", diz um trecho. O texto reforça que respeitar a vontade do povo venezuelano é "o único caminho" para restaurar a democracia e resolver a crise.
Contexto: A Prisão de Maduro e a Reação Internacional
Nicolás Maduro foi capturado por militares americanos no sábado, 3 de janeiro, na capital venezuelana, Caracas. Ele foi rapidamente transferido para os Estados Unidos, onde está detido no Centro de Detenção Metropolitano de Nova York. Maduro enfrentará julgamento na Corte do Distrito Sul de Nova York por acusações que incluem:
- Conspiração para o narcoterrorismo.
- Conspiração para a importação de cocaína.
- Posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.
A UE reconheceu compartilhar a "prioridade de combater o crime organizado transnacional e o tráfico de drogas". Contudo, ressaltou que esses desafios devem ser enfrentados por meio de cooperação internacional e com pleno respeito à integridade territorial e soberania das nações.
Exigências para uma Solução Pacífica
O comunicado da União Europeia lista ações consideradas essenciais para um desfecho pacífico da crise. A chefe da diplomacia, Kaja Kallas, afirmou que a UE trabalha para facilitar um diálogo inclusivo que leve a uma solução negociada.
Um ponto destacado é a libertação incondicional de todos os presos políticos atualmente detidos na Venezuela. O bloco também mencionou que as autoridades consulares de seus países-membros estão coordenando esforços para proteger a segurança dos cidadãos europeus que possam estar ilegalmente detidos no país sul-americano.
O posicionamento europeu surge em um momento de alta tensão, com o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciando planos de influenciar o futuro político da Venezuela e a exploração de seus recursos petrolíferos. A declaração da UE tenta navegar entre a rejeição ao governo Maduro e a defesa intransigente da soberania nacional e da autodeterminação dos povos.