Nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, a União Europeia tomou uma posição clara sobre o futuro da Venezuela. O bloco europeu afirmou que qualquer transição política no país deve incluir os líderes da oposição, María Corina Machado e Edmundo González Urrutia. A declaração ocorre em um momento de grande tensão, após a captura do presidente Nicolás Maduro por uma operação militar dos Estados Unidos no último sábado, dia 3.
Posição europeia em meio à crise
A porta-voz da União Europeia, Anitta Hipper, foi enfática ao declarar que os próximos passos envolvem um diálogo rumo a uma transição democrática. “Que deve incluir Edmundo González e María Corina Machado”, ressaltou. Esta posição estabelece um contraste direto com a visão expressada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que no sábado descartou a participação dos opositores, especialmente de Machado, em um eventual governo de transição.
Machado, por sua vez, reagiu com cautela à ação militar americana. Em uma nota intitulada “chegou a hora da liberdade”, ela celebrou a captura de Maduro, acusando-o de cometer “crimes atrozes” contra o povo venezuelano e de se recusar a uma saída negociada. No entanto, seu foco imediato foi a legitimidade eleitoral: ela afirmou que Edmundo González “deve assumir de imediato seu mandato constitucional”.
O impasse sobre a legitimidade eleitoral
A reivindicação tem base em um pleito contestado. González foi o candidato que substituiu Machado nas eleições de julho de 2024, após a barreira de sua candidatura pelo regime de Maduro. A oposição e pesquisas independentes sustentam que Gonzalez foi o verdadeiro vencedor daquela eleição, na qual Maduro se autoproclamou reeleito.
Esta versão dos fatos recebeu reconhecimento internacional:
- Estados Unidos
- União Europeia
- Diversos países da América Latina
O Brasil adotou uma postura mais cautelosa, não reconhecendo a vitória de Maduro, mas também não indo tão longe quanto os outros países no reconhecimento de González.
O delicado equilíbrio diplomático
Enquanto defende uma transição que inclua a oposição, a União Europeia navega em um cenário diplomático complexo, tentando não antagonizar os Estados Unidos. No domingo, dia 4, a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, pediu “calma e moderação por parte de todos os atores”.
Uma declaração formal, apoiada por 26 dos 27 Estados-membros – com a exceção da Hungria, aliada próxima de Trump –, instou ao respeito ao direito internacional e à Carta da ONU. “Respeitar a vontade do povo venezuelano continua a ser o único caminho para a Venezuela restaurar a democracia”, afirmou o texto.
Do outro lado do Atlântico, a administração Trump mantém um discurso mais intervencionista e vago. Em coletiva no sábado, Trump declarou que os EUA governariam a Venezuela por tempo indeterminado, até que uma transição “segura, adequada e sensata” possa ser realizada, sem oferecer um cronograma para novas eleições.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reforçou essa linha no domingo. Ele afirmou que os EUA avaliarão a situação “com base em ações, não palavras” e lembrou a influência de Washington através do regime de sanções econômicas. Rubio também considerou prematuro definir datas para um novo pleito, citando o exílio de parte da oposição e a necessidade de resolver desafios de curto prazo primeiro.
No momento, o poder na Venezuela está com Delcy Rodríguez, vice de Maduro, que deve ser empossada como presidente interina nesta segunda-feira. Embora ela tenha condenado a operação americana como uma “atrocidade”, o governo Trump demonstrou confiança de que Rodríguez cooperará com suas demandas.
O cenário, portanto, permanece incerto, com a União Europeia defendendo um caminho que inclua a oposição legitimada pelas urnas, e os Estados Unidos mantendo o controle sobre os próximos passos, em uma demonstração clara das divergências sobre como a transição venezuelana deve se concretizar.