Turquia recebe chanceler do Irã em Istambul para mediar crise com EUA
Em um cenário de intensa tensão internacional, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, realizou uma visita a Istambul nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, para se reunir com seu homólogo turco, Hakan Fidan. O encontro ocorre em meio a ameaças crescentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que exige a assinatura de um acordo nuclear com o Irã e mobilizou forças navais na região.
Mediação turca para evitar escalada militar
A Turquia, membro da Otan com relações sólidas com o Irã, busca atuar como mediadora na crise entre Teerã e Washington. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, propôs ao seu homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, que a Turquia funcione como facilitadora para apaziguar as tensões e resolver os problemas diplomáticos.
Pezeshkian respondeu que a via diplomática só será viável se os Estados Unidos cessarem as ameaças contra o Irã. Ele enfatizou que o sucesso de qualquer iniciativa depende da boa vontade das partes em abandonar ações beligerantes na região.
Ameaças de Trump e risco de ataque
Donald Trump intensificou suas declarações na última semana, afirmando que, sem um acordo nuclear, os EUA atacarão o Irã. Ele referiu-se a um ataque anterior em junho de 2025 contra instalações nucleares iranianas e advertiu que uma nova ação seria muito pior.
O Irã, por sua vez, alertou que retaliaria instantaneamente contra porta-aviões e bases militares americanas no Oriente Médio em caso de agressão. A presença de navios de guerra dos EUA na região e a inclusão da Guarda Revolucionária iraniana na lista de organizações terroristas pela União Europeia aumentam a pressão sobre Teerã.
Contexto da crise e protestos no Irã
A visita de Araghchi é sua primeira ao exterior desde o início de uma onda de protestos no Irã entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, reprimida violentamente pelo regime. Segundo a ONG Hrana, mais de 6.400 pessoas morreram nas manifestações, que começaram devido à crise econômica e inflacionária, mas evoluíram para pedidos de fim da ditadura e deposição do líder supremo Ali Khamenei.
A crise entre EUA e Irã se agravou com a repressão aos protestos, embora as tensões tenham diminuído temporariamente após o regime iraniano desistir de execuções planejadas de manifestantes presos.
Preocupações regionais e desestabilização
A Turquia teme que um ataque dos EUA ao Irã possa desestabilizar todo o Oriente Médio, gerando um novo fluxo de migrantes através dos 550 km de fronteira que compartilha com a República Islâmica. Estados do Golfo, aliados dos EUA, também pedem contenção, preocupados em serem alvos de retaliação iraniana devido às bases americanas em seus territórios.
O programa nuclear iraniano permanece no centro da controvérsia. O Irã sustenta que seu enriquecimento de urânio é para fins civis, mas o nível de pureza de 60% se aproxima do necessário para uso militar, levando acusações de que o regime busca desenvolver uma bomba atômica.