Ex-presidente dos EUA discursa sobre capacidade militar e conflito no Oriente Médio durante evento de condecoração
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou uma cerimônia de entrega da Medalha de Honra na Casa Branca, em Washington, para fazer declarações contundentes sobre a situação militar norte-americana e justificar sua recente ofensiva contra o Irã. O evento, que homenageou veteranos das guerras do Vietnã e do Afeganistão, serviu de palco para o republicano expor suas visões sobre segurança nacional e política externa.
Críticas a Biden e defesa dos estoques de armas
Em publicação na rede social Truth Social, Trump admitiu que os Estados Unidos "não estão onde gostariam" em relação à quantidade de armamento de ponta disponível. No entanto, o ex-mandatário foi enfático ao afirmar que o país possui estoques "praticamente ilimitados" de armamentos de médio e médio-alto alcance.
"Como me foi dito hoje, temos um suprimento praticamente ilimitado dessas armas. Guerras podem ser travadas 'para sempre' e com muito sucesso, usando apenas esses suprimentos", declarou Trump, acrescentando que essas armas seriam "melhores do que as melhores armas de outros países".
O ex-presidente atribuiu o baixo estoque de armamentos mais avançados às doações feitas pelo governo do ex-presidente Joe Biden ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Em tom crítico, Trump afirmou: "O sonolento Joe Biden gastou todo o seu tempo e o dinheiro do nosso país dando tudo para P.T. Barnum (Zelensky!) da Ucrânia — centenas de bilhões de dólares em armamento".
Trump completou sua crítica dizendo que, embora Biden tenha doado "grande parte do armamento de ponta (de graça!)", não se preocupou em repor os estoques. A referência a P.T. Barnum — empresário americano do século XIX conhecido como "príncipe das falcatruas" e retratado no filme "O Rei do Show" (2017) — foi utilizada de forma pejorativa para caracterizar Zelensky.
Justificativa para ofensiva no Irã
Durante sua primeira fala pública sobre o conflito com o Irã, Trump defendeu os ataques norte-americanos como "a nossa última e melhor chance de eliminar a ameaça do regime iraniano". O ex-presidente estimou que o conflito deve durar "quatro ou cinco semanas ou mais" e detalhou os objetivos militares.
"Eliminamos a liderança [iraniana] em 1 hora", afirmou Trump, referindo-se aos primeiros momentos da ofensiva. Segundo ele, os Estados Unidos estão destruindo as capacidades de mísseis do Irã — tanto os já produzidos quanto a produção de novos — e afundaram pelo menos 10 navios iranianos.
Os objetivos declarados por Trump incluem:
- Destruir mísseis e desmantelar a Marinha iraniana
- Interromper as "ambições nucleares" do país
- Cortar o financiamento do governo iraniano a grupos terroristas
- "Garantir que o Irã nunca tenha uma arma nuclear"
- "Garantir que o regime do Irã não consiga mais financiar os grupos terroristas do Oriente Médio"
Rompimento nas negociações e críticas ao acordo nuclear
O ex-presidente norte-americano deixou claro que não está disposto a retomar o diálogo com Teerã. "Não dá lidar com essas pessoas", discursou durante a cerimônia, referindo-se às negociações anteriores entre Estados Unidos e Irã para um acordo de não proliferação de armas nucleares.
Trump reiterou argumentos de que o Irã tentou reconstruir seu programa nuclear e afirmou que o país expandia "rápida e dramaticamente" seu programa de mísseis, representando uma "ameaça colossal" aos Estados Unidos, às bases militares norte-americanas no Oriente Médio e à Europa.
O ex-mandatário expressou satisfação por ter "derrubado o horrível acordo nuclear" feito pelo ex-presidente Barack Obama com os iranianos. Segundo Trump, a guerra era "nossa última e melhor chance para atacar e eliminar a ameaça intolerável representada pelo Irã".
Contexto do evento e repercussões
A cerimônia na Casa Branca ocorreu em um evento de entrega de medalhas de honra a soldados mortos no conflito. Até o momento, quatro militares tiveram suas mortes confirmadas pelas Forças Armadas norte-americanas, enquanto outros 18 soldados estão feridos em estado grave após ataques retaliatórios iranianos, segundo informações da rede CNN Internacional.
Trump ainda afirmou à CNN Internacional que a "grande leva de ataques ao Irã ainda está por vir", indicando que a escalada do conflito pode continuar. O ex-presidente justificou sua postura intransigente afirmando: "Achamos que tínhamos um acordo, aí eles deram para trás. De novo, achamos que tínhamos fechado um acordo, e eles novamente deram para trás. Uma hora falamos chega".
As declarações de Trump ocorrem em um momento de tensão internacional crescente, com o ex-presidente utilizando eventos cerimoniais para defender políticas militares agressivas e criticar a administração anterior. A referência a P.T. Barnum para caracterizar o presidente ucraniano e a justificativa detalhada para os ataques ao Irã marcam um discurso que mistura elementos de política interna e externa em meio a condecorações militares.



