Trump Retira Convite do Canadá para Conselho da Paz e Cobra US$ 1 Bi por Assento
Trump Retira Convite do Canadá para Conselho da Paz

Trump Retira Convite ao Canadá para Conselho da Paz em Meio a Tensões Diplomáticas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (22) a retirada formal do convite feito ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, para que o país se junte ao Conselho da Paz. Este órgão, criado e controlado pelo republicano, tem como objetivo declarado suplantar as Nações Unidas, gerando controvérsia global.

Comunicação Pública e Ameaças em Rede Social

Em uma publicação em sua plataforma Truth Social, Trump escreveu uma carta direta a Carney: "Caro primeiro-ministro Carney: que esta carta sirva para comunicar que o Conselho da Paz retira o convite dirigido ao senhor a respeito da adesão do Canadá àquele que será o conselho de líderes mais prestigiado de todos os tempos". A decisão ocorre após Carney chamar atenção internacional por comentários sobre uma "ruptura" no sistema global de governança liderado pelos EUA, em meio aos esforços de Trump para anexar a Groenlândia.

Além disso, o governo canadense havia declarado que não pagaria para ingressar no Conselho da Paz, inicialmente concebido para governar a Faixa de Gaza como parte de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na quarta-feira (21), Trump afirmou que o Canadá "vive por causa dos EUA" e ameaçou Carney, dizendo: "Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações".

Condições Financeiras e Composição do Conselho

Trump estabeleceu uma cobrança de US$ 1 bilhão para países que desejem um assento permanente no conselho. Até o momento, 24 nações aceitaram o convite, mas a composição do grupo levanta preocupações. Segundo o Instituto V-Dem, que monitora parâmetros democráticos anualmente, 70% desses membros possuem regimes autocráticos ou ditatoriais.

  • Exemplos incluem Hungria, Qatar e Arábia Saudita, países que mantêm relações próximas com o governo americano sob Trump.
  • Além do Canadá, outras nações como Espanha, França, Noruega e Reino Unido já recusaram o convite, citando temores de um esvaziamento da ONU.

Posição do Brasil e Contexto Internacional

O Brasil ainda não decidiu se aceitará o convite, recebido pelo presidente Lula. A diplomacia brasileira tem conduzido conversas com outros países convidados para avaliar a iniciativa. Tradicionalmente, o Brasil busca equilíbrio e participação em espaços de diálogo internacional, mas há preocupações de que o Conselho da Paz possa minar a legitimidade da ONU como fórum global.

Na cerimônia de criação do conselho, realizada às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, Trump declarou: "Este conselho tem a chance de ser um dos conselhos mais importantes já criados. É minha grande honra servir como presidente, fiquei muito honrado quando me pediram isso", embora seu governo tenha sido o idealizador do grupo. O evento contou com a presença de líderes como o argentino Javier Milei, o indonésio Prabowo Subianto e o húngaro Viktor Orbán.

Impactos e Futuro do Conselho da Paz

A estrutura do Conselho da Paz permanece pouco clara, apesar de seu lançamento oficial. A iniciativa de Trump, marcada por tensões tarifárias e diplomáticas, como a suspensa tentativa de anexar a Groenlândia, ofuscou até mesmo eventos globais como o Fórum de Davos. Enquanto isso, a comunidade internacional observa com cautela os desdobramentos, ponderando os riscos de fragmentação da governança mundial.