Política Externa de Trump: Sétima Intervenção Militar no Irã Contradiz Discurso de Campanha
Trump realiza 7ª intervenção militar, contradizendo discurso de campanha

Política Externa de Trump: Sétima Intervenção Militar no Irã Contradiz Discurso de Campanha

O ataque conjunto realizado por Estados Unidos e Israel contra o Irã, ocorrido no último fim de semana, representa a sétima intervenção estrangeira que o governo de Donald Trump lançou ou expandiu desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro do ano passado. Este movimento contradiz diretamente o que o republicano defendeu publicamente por anos: o fim do engajamento dos Estados Unidos no que ele denominava "guerras inúteis".

Expansão de Operações Militares em Múltiplas Frentes

Em alguns cenários, como no Iraque e na Somália, Trump apenas ampliou operações já existentes de gestões anteriores. Contudo, em outros casos, como na Venezuela, o presidente lançou os Estados Unidos em intervenções completamente novas, cujos resultados permanecem imprevisíveis e carregados de incertezas geopolíticas.

Detalhes das Intervenções Recentes

Irã: Após meses de ameaças públicas, Trump concretizou um ataque conjunto com Israel que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no último sábado (28). A ofensiva também eliminou grande parte da cúpula do regime, incluindo figuras-chave como o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, o chefe das Forças Armadas, Sayyid Abdolrahim Mousavi, e o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, Mohammad Pakpour.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

No dia do ataque, Trump justificou a ação como necessária para "defender o povo americano, eliminando ameaças do regime iraniano". Ele enfatizou que o Irã "jamais poderá ter uma arma nuclear", referindo-se ao programa atômico de Teerã, que a teocracia afirma ter fins pacíficos, apesar de enriquecer urânio em níveis próximos aos exigidos para armamento nuclear.

Venezuela: No dia 3 de janeiro, Trump ordenou um ataque à Venezuela que culminou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, para serem julgados por crimes relacionados ao tráfico de drogas nos Estados Unidos. A intervenção, que causou aproximadamente 80 mortes, seguiu-se a meses de bombardeios a embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico.

A líder interina Delcy Rodríguez, substituta de Maduro, tem colaborado com Washington desde então. Como resultado, a Venezuela reduziu o controle estatal sobre sua indústria petrolífera, que detém as maiores reservas mundiais do commodity, e abriu portas para investimentos privados, especialmente estrangeiros. Dezenas de presos políticos foram libertados, embora a cúpula do regime permaneça praticamente intacta.

Síria: Ao longo do segundo semestre do ano passado, Washington executou cerca de 80 operações no país, que enfrenta instabilidade persistente desde a queda do ditador Bashar al-Assad em dezembro de 2024. Segundo o Comando Central americano, essas ações responderam a pelo menos 11 planos ou ataques contra alvos nos Estados Unidos.

A intervenção ganhou novos contornos em dezembro de 2025, após um ataque na cidade de Palmira matar dois soldados e um intérprete civil, todos americanos. O governo sírio, que tem se aproximado dos Estados Unidos, atribuiu o incidente a um agente extremista, mas Trump responsabilizou o Estado Islâmico. Em conjunto com a Jordânia e com cooperação síria, Washington atacou mais de setenta alvos em dezembro e expandiu a ação em janeiro, mirando 35 locais supostamente ligados ao Estado Islâmico.

Nigéria: O bombardeio americano ao país africano em dezembro de 2025 resultou de tensões crescentes entre as duas nações ao longo do ano anterior. Crítico do que chamou de "massacre de cristãos" na Nigéria, Trump incluiu o país em uma lista de preocupação especial sobre liberdade religiosa em outubro.

Especialistas afirmam que a violência no país é indiscriminada, enquanto o governo nigeriano alega esforços para preservar a liberdade religiosa. Apesar das discordâncias, ambos coordenaram um ataque com mísseis contra 16 alvos terroristas no noroeste da Nigéria no final do ano passado.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Iraque: Mesmo antes do segundo mandato de Trump, os Estados Unidos já desmobilizavam tropas no Iraque – um dos alvos da operação Resolução Inerente, lançada por Barack Obama em 2014. Embora tenha dado continuidade à retirada gradual, o republicano conduziu várias operações antiterroristas no país.

Uma dessas operações, coordenada com autoridades locais, ocorreu em março do ano passado, quando um ataque aéreo no oeste do Iraque matou Abdallah Makki Muslih al-Rifai, conhecido como Abu Khadijah, um dos líderes mais importantes do Estado Islâmico.

Somália: As operações na Somália também representam uma extensão da guerra ao terror iniciada pelo ex-presidente George W. Bush. No entanto, Trump expandiu significativamente os esforços no país, conforme apontado pelo centro de pesquisas Council on Foreign Relations.

De acordo com a think tank New America, os Estados Unidos conduziram 126 operações na Somália em 2025, resultando na morte de quase 200 membros de grupos armados. As operações, que continuam em 2026, visam principalmente o al-Shabaab, afiliado à al-Qaeda, e o EI-Somália. Apesar disso, ambos os grupos permanecem ativos, com o al-Shabaab acumulando vitórias sobre forças de segurança somalis enquanto se aproxima da capital, Mogadíscio.

Iêmen: A ofensiva no Iêmen focou principalmente nos rebeldes houthis, que atacaram cidades israelenses e navios no mar Vermelho por mais de dois anos em solidariedade aos palestinos na guerra contra Tel Aviv na Faixa de Gaza. Em conjunto com o Reino Unido, Washington tentava restabelecer o livre fluxo na região e preservar instalações militares, esforços que se expandiram sob Trump.

Segundo o Exército americano, as forças dos Estados Unidos atingiram mais de 800 alvos no Iêmen durante a operação, encerrada abruptamente em maio do ano passado. Autoridades do Congresso estimam que a campanha custou mais de US$ 1 bilhão.