O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu a polêmica sobre a soberania da Groenlândia nesta sexta-feira, afirmando que sua administração tomará medidas em relação ao território autônomo dinamarquês, independentemente da vontade de seus habitantes. As declarações, feitas a jornalistas na Casa Branca e reportadas pela CNBC, soaram como uma ameaça velada e preocuparam aliados da OTAN.
O Discurso de Confronto e a Justificativa Geopolítica
Em tom assertivo, Trump deixou claro que prefere um acordo amigável, mas não descarta ações mais duras. “Eu gostaria de fazer um acordo, sabe, da forma fácil. Mas, se não fizermos da forma fácil, faremos da forma difícil”, declarou o líder norte-americano. Questionado sobre relatos da Reuters de que seu governo ofereceria pagamentos aos groenlandeses, Trump evitou falar de valores, mas reiterou a intenção de agir: “Agora vamos fazer algo em relação à Groenlândia, queiram eles ou não”.
A justificativa apresentada por Trump é de segurança nacional. Ele argumenta que, se os Estados Unidos não assumirem o controle da ilha, potências rivais o farão. “Porque, se não fizermos isso, a Rússia ou a China vão tomar a Groenlândia, e não queremos a Rússia ou a China como vizinhas”, afirmou. A região ártica, rica em recursos naturais e com importância estratégica crescente, tem sido palco de aumento da presença militar russa e de interesses econômicos chineses.
A Reação da OTAN e o Risco para a Aliança
As declarações de Trump ocorreram no mesmo dia em que o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, conversou com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre o reforço da segurança no Ártico. Um porta-voz da aliança citado pela AFP disse que Rutte discutiu com Rubio “a importância do Ártico para a segurança comum”.
A postura agressiva de Trump, no entanto, coloca em risco a coesão da aliança militar ocidental. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que um ataque militar norte-americano à Groenlândia, território autônomo de seu país, poderia significar o fim da OTAN, que completa 76 anos.
Em contraponto, o comandante das forças da OTAN na Europa, general americano Alexus Grynkewich, tentou acalmar os ânimos. Ele garantiu que a aliança está longe de uma crise e que as declarações políticas não impactaram suas operações militares. “Estamos prontos para defender cada centímetro da Aliança, hoje como sempre”, afirmou em Helsinque, recusando-se a comentar o “aspecto político” da questão.
O Jogo de Cena e o Apoio à Dinamarca
A Casa Branca, por sua vez, mantém um jogo ambíguo. Embora não tenha descartado a opção militar, indicou que Trump estaria considerando ativamente a compra da vasta ilha ártica, sem detalhar como essa transação inédita se daria. Em entrevista ao The New York Times na quinta-feira, o próprio Trump reconheceu o dilema: talvez tenha de escolher entre preservar a integridade da OTAN e controlar o território dinamarquês.
Enquanto isso, a Dinamarca não está sozinha. Itália, França, Alemanha, Polônia, Espanha e Reino Unido já manifestaram apoio a Copenhague para enfrentar as exigências de Washington. A solidariedade europeia é um sinal claro de que a pressão de Trump sobre a Groenlândia é vista como uma questão que transcende a relação bilateral e afeta os alicerces da segurança coletiva no Atlântico Norte.
A situação permanece em aberto, com Trump insistindo na narrativa de aquisição crucial para a segurança nacional e os aliados tentando, nos bastidores, conter uma crise que pode abalar uma das mais duradouras alianças militares da história.