Em um discurso na véspera do Ano Novo, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, fez uma declaração que mistura otimismo cauteloso com um alerta severo. Ele afirmou que as negociações para um acordo de paz com a Rússia estão 90% concluídas, mas advertiu que os 10% restantes são os mais difíceis e decisivos para o futuro do seu país e da Europa.
Os detalhes cruciais do acordo
Zelensky, em mensagem de vídeo publicada em seu canal no Telegram nesta quarta-feira (31), deixou claro que a Ucrânia deseja o fim da guerra, mas não "a qualquer preço". Segundo ele, qualquer entendimento final precisa incluir garantias de segurança sólidas para impedir que a Rússia lance uma nova invasão no futuro.
O presidente ucraniano foi enfático ao descrever o cerne do impasse atual. "O acordo de paz está 90% pronto, restam 10%. E isso é muito mais que apenas números", declarou. "Esses 10% vão determinar o destino da paz, o destino da Ucrânia e da Europa", completou, ressaltando a complexidade das questões pendentes.
O impasse territorial sobre o Donbass
O principal obstáculo, conforme detalhado, é a questão territorial, especificamente o controle da região oriental de Donbass. Enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, pressiona para obter o controle total da área como parte de um acordo, Zelensky expressou profunda desconfiança.
Em seu discurso, o líder ucraniano rejeitou a ideia de que uma retirada de suas forças da região traria o fim definitivo das hostilidades. "'Saiam do Donbass e tudo estará terminado'. É assim que soa a fraude quando se traduz do russo para o ucraniano, o inglês, o alemão, o francês e, de fato, para qualquer idioma do mundo", afirmou Zelensky, sugerindo que concessões territoriais não garantiriam paz duradoura.
O papel dos Estados Unidos e o caminho à frente
Os Estados Unidos atuam como mediador ativo, tentando elaborar uma proposta que possa ser aceita por ambos os lados, em Moscou e Kiev. No entanto, os esforços ainda não conseguiram superar o bloqueio na questão-chave das fronteiras e da soberania sobre os territórios disputados.
A declaração de Zelensky reforça uma posição de força negociadora, mas também de realismo. Ele deixa claro que os 10% finais das tratativas envolvem as cláusulas mais sensíveis e importantes, que vão desde as garantias de segurança internacional até o status definitivo das regiões ocupadas. O tom indica que, apesar da proximidade de um acordo no papel, a distância para uma paz real e segura ainda depende de decisões extremamente complexas.