Trump reafirma interesse na Groenlândia e gera crise diplomática
Trump quer Groenlândia e provoca reação internacional

O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, confirmou que está avaliando uma série de medidas para adquirir o território da Groenlândia. A informação foi divulgada oficialmente pela Casa Branca nesta terça-feira, 06 de janeiro de 2026, e coloca a maior ilha do mundo no centro de uma disputa geopolítica.

Segurança nacional no Ártico é justificativa

Em comunicado citado pela agência Reuters, a administração Trump classificou a possível aquisição como "vital para dissuadir adversários na região do Ártico". O presidente afirmou que o governo norte-americano analisa "uma série de opções" para alcançar esse objetivo de política externa, mantendo inclusive o uso das Forças Armadas como uma possibilidade, dentro das prerrogativas do comandante em chefe.

Horas após a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, Trump voltou a mencionar publicamente o assunto. Ele declarou que pretende falar mais detalhadamente sobre o tema dentro de 20 dias e reforçou a justificativa de segurança. "Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional", afirmou, argumentando que a ilha estaria cercada por navios russos e chineses.

Rejeição firme da Groenlândia e da Dinamarca

As declarações provocaram uma reação imediata e contundente das autoridades locais e europeias. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, pediu que o presidente dos Estados Unidos cesse as pressões e insinuações. Ele rejeitou qualquer comparação entre a situação do território dinamarquês e a da Venezuela, ressaltando que a Groenlândia é uma sociedade democrática.

A União Europeia também se manifestou, afirmando que a Groenlândia não é "um pedaço de terra à venda" e informou estar em contato com o governo da região autônoma.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, foi ainda mais enfática. Ela alertou para as consequências catastróficas de um eventual ataque norte-americano a um país membro da Otan, dizendo que isso representaria "o fim de tudo", incluindo a própria aliança militar e o sistema de segurança construído desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Frederiksen afirmou que o governo dinamarquês está fazendo "todo o possível" para evitar uma escalada da tensão e rejeitou as alegações de Washington sobre falhas de segurança no Ártico. Ela destacou que a Dinamarca destinou o equivalente a 1,2 bilhão de euros para reforçar a segurança na região até 2025.

Interesse estratégico e histórico

Apesar das críticas, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, reforçou na segunda-feira que, na visão do governo Trump, a Groenlândia deveria integrar o sistema de segurança dos Estados Unidos. Em entrevista à CNN, ele afirmou que o presidente vem deixando claro, há meses, a necessidade estratégica.

Com cerca de 57 mil habitantes, a Groenlândia ocupa uma posição estratégica no Ártico e possui vastos recursos minerais ainda pouco explorados. O território já abriga uma base militar norte-americana, e durante a Guerra Fria, os Estados Unidos chegaram a operar cerca de dez instalações militares na região.

Em um desenvolvimento paralelo, o Departamento de Justiça dos EUA apresentou uma nova peça acusatória nesta semana na qual o Cartel de Los Soles aparece apenas duas vezes, em citações de menor importância, sem qualquer menção à liderança de Nicolás Maduro em relação ao suposto cartel, representando um recuo nas acusações anteriores.